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O ano velho

O Natal já passou e a passagem de ano também. Parece que tudo passa a voar em vez de caminhar. Há uma pressa involuntária de viver que nos faz olhar para o passado como que para um filme cujas imagens surgem em modo acelerado. Este é o primeiro artigo de 2026, o novo ano, e terá como tema parte da época de 2025, o ano velho (num tratamento carinhoso).

O SC Braga recuperou, ainda na parte desta época referente ao ano anterior, um estatuto europeu que na temporada precedente ficara algo tremido, uma vez que não foi conseguido o apuramento para a fase a eliminar da Liga Europa. Este facto é um sinal claro do crescimento bracarense ao longo das últimas décadas, pois chegar às competições europeias deixou de ser um sonho para passar a ser uma realidade, que agora pede objetivos de apuramento e elevação de patamar.

A época oficial começou muito cedo e o número de jogos já corresponde, por esta altura, a muitas épocas de um passado distante do “Braguinha” de outros tempos. Além-fronteiras, ainda há objetivos a atingir, ainda que a final alcançada em 2011 seja hoje quase uma utopia, em função dos avultados orçamentos praticados em vários pontos da Europa.

Internamente, o SC Braga inicia o novo ano com a possibilidade, uma vez mais, de conquistar a Taça da Liga. Não se apresenta, naturalmente, como uma tarefa fácil, tendo em conta que a meia-final coloca pela frente o SL Benfica e que a final é sempre uma incógnita, seja contra leões ou conquistadores, que surgem como “novos convidados” da final four da competição. Leiria acolherá, assim, duas equipas minhotas e outras tantas da capital.

A Taça de Portugal brindou o SC Braga com um sorteio amigo. Os quartos de final levam a equipa até Fafe, para um duelo minhoto frente a um adversário da Liga 3. Esperemos que a meia-final, caso se confirme, como se deseja, possa igualmente ser simpática no respetivo sorteio, permitindo um percurso menos exigente para uma equipa que já fez mais jogos do que todas as outras do principal escalão.

A avaliação na liga portuguesa encerra com uma “vitória de Mourinho” na Pedreira, num encontro que o SC Braga empatou após uma arbitragem miserável de João Gonçalves e do VAR Tiago Martins. Toda a envolvência do jogo merecia uma arbitragem mais isenta, mas talvez isso seja pedir demasiado.

A prestação global na liga parece aquém do esperado em Braga. Contudo, com algum pragmatismo, é possível constatar que este é um ano particularmente complicado para lutas mais acima na tabela, em função dos colossais investimentos de alguns clubes, que gastam o que não têm várias vezes, aos quais se juntam as promessas de reforços neste mercado de inverno e as arbitragens influentes que, infelizmente, se têm verificado.

Perante este cenário, o SC Braga deverá procurar fazer o melhor possível nas competições a eliminar em que está envolvido, sem perder de vista o crescimento gradual do processo em curso e a preparação da próxima temporada, mantendo sempre como objetivo a presença nos lugares cimeiros da classificação. O mês de janeiro poderá trazer algumas alterações no plantel de Carlos Vicens, no sentido de dar mais competição a atletas menos utilizados até ao momento e de equilibrar o grupo, com especial destaque para a carência de soluções imediatas nas alas, capazes de alterar o plano principal em diferentes momentos dos jogos, quando tal se revelar necessário.

Bom ano novo, SC Braga.


 

António Costa

António Costa

2 janeiro 2026