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A I. A. ameaça destruir a paisagem da Beira Baixa

 

E 8 distritos do nosso Interior, estão também ameaçados de ficar sem distribuição de jornais). A VASP, que tem predominado nessa tarefa de levar os jornais, a informação e a cultura a essas regiões cada vez menos povoadas, diz ter prejuízos económicos crescentes; e avisa o Governo de que tenciona suspender o serviço. O que é gravíssimo: os leitores vão passar a “informar-se” através das “fake news” das redes sociais, que nem sequer dão atenção a vastos sectores daquilo que realmente interessa. A par disso, a maioria da população local, a qual nem sabe usar um computador (quanto mais passar a vida a expor-se e a “cochichar” nas ditas redes), essa maioria vai ficar apenas com acesso à rádio e à TV (e podia ser bem pior). Perdem-se os indispensáveis hábitos de leitura e não se desenvolve o espírito crítico, tão ligado à liberdade da verdadeira Imprensa, a que trabalha com papel; cujas folhas, guardadas numa prateleira, podem ser consultadas por muitos anos. Não “desaparecem”, como as que são veiculadas pelos écrans.

Na Beira Baixa, se a VASP diz “mata”, a SOPHIA diz “esfola”…). É claro que, se há dinheiro para TGV’s e aeroportos (e para a Ucrânia do inefável Zelenski) decerto que também há os poucos eurozitos necessários para o Governo minoritário do PSD (ou outro qualquer) subsidiarem a continuidade desse serviço público. O qual, se cessasse seria uma verdadeira afronta à dignidade dos (ainda muitos) moradores no nosso Interior. Porém, ainda mais grave é a nova ameaça à Natureza (e à bela paisagem e ao turismo), que causará a instalação de cerca de 3.700 hectares de painéis fotovoltaicos (divididos por 14 megaprojectos) em diversos lugares do distrito de Castelo Branco.

O muito que vale, turística e ecologicamente, a Beira Baixa). O distrito de Castelo Branco (que abrange a totalidade da Beira Baixa) é, até ao momento, um dos lugares de Portugal em que a Natureza e a paisagem estão melhor conservadas. É um autêntico prolongamento dos sobreirais, azinhais e pastagens da Espanha central e do sul. Abundam as aves de rapina, os abelharucos, os noitibós, as pegas azuis, os cucos, as raposas, lebres, javalis, corços e até os veados (que atravessam com facilidade o baixo caudal do Erges e do próprio Tejo, na fronteira com a Extremadura espanhola). A oeste e a norte, inclui as serras de Alvelos, Muradal, Gardunha, Estrela, S.ª Marta, Penha Garcia-Monfortinho e Malcata, cobertas todas com pinheiro (ou infelizmente também, eucalipto); e agora também, com ventoinhas eólicas. Quase 2 terços, a leste, são contudo uma vasta planície em que abundam os sobreiros e os pastos, havendo ainda muito gado ovino e bovino. Predominam os latifúndios (alguns dos quais são de famílias pouco afluentes em dinheiro e que perante ofertas de algum montante são bem capazes de destruir o montado e deixar instalar os tais muitos milhares de painéis solares…).

No Fundão e “cova da Beira”, começou o processo). Foi apenas há 2 ou 3 anos. Acho que se Hermano Saraiva, que era de lá, estivesse vivo, estes abusos, num dos mais belos lugares de Portugal (um vasto vale, entre a Gardunha e a magestosa Estrela) nunca aconteceriam. E normalmente são precedidos por grandes incêndios (na serra da Estrela, Gardunha, Peroviseu, Idanha); para degradar o território.

Onde querem então agora, as subsidiárias da BP, instalar o tal megaprojecto SOPHIA?). É no norte da Beira Baixa, num ponto onde se juntam os concelhos de Penamacor, Fundão (oriental) e Idanha, perto das aldeias de Monsanto, Medelim, Bemposta, Aª S. Margarida, Proença a Velha, Águas e Aldeia de João Pires. As vistas aí, são soberbas (abrangem a Estrela, a Gardunha, Monsanto, Penha Garcia, as espanholas de Gata, San Pedro e monte Jalama). São 1.734 já vedados, que incluem 390ha. de negras filas contínuas de painéis (só do SOPHIA…). Daí que a célebre pianista Mª João Pires tenha a quinta e a escola à venda (perto da Mata). Daí que, em 13 de Dezº último tenha havido uma manif. em Lisboa (precedida duma maior, no Fundão). Segundo o sempre fiável PEDRO ALMEIDA VIEIRA (jornal eletrónico PÀGINA UM), a tal subsidiária é a Lightsource Renewable Energy, representada pelo escritório do dr. José Luís Arnaut, na rua Castilho, em Lisboa.

Um investimento global de 600 milhões de euros). O valor é dado pelo Expresso (14-10-2025) e, é claro, terá de ser recuperado no futuro… A UGT de Castelo Branco alerta contra os tais 3.700 ha. afectados (jornal Reconquista, de CB). E o transporte implicará ca. de 22 kms. de linhas de mt. alta tensão. Como se vê, a dita “Inteligência Artificial” sai bem cara. Cara às finanças, ao emprego (ao Povo…). E caríssima à Natureza, dado que implica um enormíssimo consumo de energia, que é preciso fabricar (é o tal “vandalismo verde”). E quanto mais A. I., menos inteligência e liberdade humanas, e menos privacidade. De repente, a própria Máquina pode (não é fantasia…) libertar-se do controle humano e até… destruir isto tudo.

Eduardo Tomás Alves

Eduardo Tomás Alves

30 dezembro 2025