Estamos no Natal. É tempo de congregar a família, renovar os sentimentos e a própria vida. As famílias ficam mais próximas, mais afetivas e o convívio caloroso é umas das caraterísticas, sendo uma oportunidade para reforçar laços. Uma curiosidade das prendas, que se distribuem na noite ou dia de Natal, é que, na verdade, é precedida de uma fase em que as pessoas se preocupam, verdadeiramente, com outros. Procuram conhecer as aspirações, os seus interesses, para depois poderem ir ao seu encontro no momento das oferendas. Porque razão é que este sentimento não se prolonga por todo o resto do ano? Por exemplo, este exemplo de união não se vislumbra no desporto, por esses campos fora. O desporto, principalmente o juvenil, está a padecer de um decréscimo de atitudes positivas e de bons exemplos.
A violência verbal e a criação de ambientes hostis, principalmente no desporto infantil/juvenil constituem um problema cada vez mais visível e que devem preocupar intensamente todas as entidades que o regulam. Embora a prática desportiva em idades mais jovens devesse promover valores como o respeito, a cooperação e o prazer pelo jogo, a presença excessiva de comportamentos inadequados por parte de alguns pais acaba por transformar a competição num espaço de enorme tensão.
Durante as competições, é frequente observar pais que gritam instruções, criticam os árbitros e repreendem os próprios filhos por erros típicos neste processo de aprendizagem. Expressões ofensivas, sarcasmo e comentários depreciativos tornam-se formas de violência verbal que, apesar de não deixarem marcas físicas, têm impactos profundos no bem-estar emocional dos praticantes e dos árbitros, tantas vezes tão jovens como os jogadores. Este tipo de comportamento transmite a ideia de que o resultado é mais importante do que o esforço, mas muitos conseguem dizer, boca fora, que o seu filho “Tem é que se divertir…”. Como?
Essa pressão excessiva pode gerar ansiedade e medo de errar, o que leva o praticante a atitudes contidas e que inibem a oportunidade de aprendizagem, que a tentativa e o erro encerram em si mesmos. Além disso, o ambiente hostil criado nas bancadas influencia negativamente a dinâmica do jogo, afetando a concentração dos jovens atletas e incentivando atitudes agressivas entre colegas, treinadores e adversários.
As crianças, em idades mais baixas, aprendem sobretudo pela observação e pela imitação e, ao presenciarem insultos, desrespeito pelas regras e falta de fair play, tendem a normalizar essas atitudes. Assim, a violência verbal de alguns pais contribui para a reprodução de comportamentos em contexto desportivo.
Promover um ambiente saudável no desporto exige uma mudança de mentalidade. Os pais devem assumir um papel positivo, valorizando o empenho, o respeito e o crescimento pessoal de TODOS os praticantes, treinadores e árbitros. A competição deve ser encarada como um meio educativo e formativo, onde o erro faz parte real da aprendizagem. Só assim o desporto poderá cumprir a sua verdadeira função.
Dizem: “O Natal é sempre que o Homem quiser” …Porque não prolongar este ambiente e espírito pelo resto do ano e em todas as circunstâncias? Divirtam-se e Bom Natal!