twitter

Centenário do Comendador Monsenhor Padre José Vaz Pinto


 

No âmbito da fé cristã, celebram-se memórias e manifestações de gratidão aos irmãos que pela relevância da ação pastoral, dentro e fora do nosso tempo, souberam responder fielmente ao lema que juraram fidelidade. Assim foi o nosso Irmão, no sacerdócio, Padre Monsenhor José Vaz Pinto, em honra de quem celebramos, a título póstumo o centenário a 27 de dezembro de 2025. «Se deveras queres ser feliz, procura servir teu irmão.» Lema de vida que cumpriu fielmente como resposta ao Senhor durante a sua vida ao serviço do Evangelho.

O Comendador Monsenhor José Vaz Pinto nasceu a 30 de dezembro de 1925, em Celeirós (Braga). Iniciou a sua caminhada espiritual a 3 de outubro de 1936, ao ingressar no Seminário do Coração de Maria, em Santo António de Serém (Águeda). Em 1939, transferiu-se para o Convento da Alpendurada (Entre-os-Rios) e, em 1942, iniciou os estudos de Filosofia nas Termas de S. Vicente. No ano seguinte partiu para Jerez de los Caballeros (Badajoz, Espanha), onde prosseguiu os estudos. Foi ordenado sacerdote a 23 de abril de 1950, na Catedral de Badajoz, e celebrou a sua Missa Nova em Celeirós, no dia 27 de agosto de 1950.

Por motivos de saúde, esteve internado nas Penhas da Saúde (Covilhã) e, posteriormente, passou um período de convalescença no Caramulo. Restabelecido, iniciou em 1952 a docência de Filosofia no Instituto Claretiano, na Rua do Ferraz, no Porto, onde permaneceu até 1955. Em 1959, foi nomeado professor no Seminário do Coração de Maria e no Colégio Internato dos Carvalhos, acumulando a administração de ambos os estabelecimentos e ainda da Colónia Infantil.

Entre 1959 e 1978, a sua missão levou-o a Paris e Versalhes, onde, com o Padre Joaquim Monteiro Saraiva, lançou os alicerces da Missão Católica Portuguesa. Foi fundador e dinamizador do jornal A Voz da Saudade, criou o Centro de Acolhimento L’AMI para portugueses na Estação de Austerlitz e instituiu o Movimento de Solidariedade Cristã (MSC), destinado a acolher e orientar os emigrantes clandestinos que chegavam a França em condições de particular fragilidade.

Em 1978, regressou a Portugal, sendo nomeado pároco de Figueiredo. No ano seguinte acumulou a paroquialidade de Celeirós e Vimieiro. Um sacerdote iluminado na alegria do Evangelho deixou refletida a sua mística na fundação do rancho folclórico (Semear Alegria) assim como impulsionou o projeto para o Centro Social e Paroquial.

Em 1988, a convite do Arcebispo Metropolita D. Eurico Dias Nogueira, integrou os serviços de emigração em Londres, onde a sua vasta experiência pastoral e social o levou a criar a “Folha Portuguesa”, orientada pelo lema: «Unir vontades para conjugar esforços.» A grandeza do serviço aos emigrantes tornou-se luz facilmente reconhecível e valeu-lhe a distinção de Comendador, atribuída em 10 de junho de 1992 pelo presidente da República Dr. Mário Soares. Cinco anos mais tarde, a 16 de dezembro de 1997, Sua Santidade o Papa João Paulo II distinguiu-o à dignidade de Capelão de Sua Santidade, atribuindo-lhe o título de Monsenhor.

O seu percurso pastoral, tecido de serviço social, entrega e fidelidade é a razão de tão nobre reconhecimento pelos cristãos que beneficiaram, espiritualmente, da sua companhia e amizade expressa nesta homenagem dos cem anos, que celebramos no dia 27 com uma solene celebração eucarística na Igreja Paroquial de Celeirós, seguida de um almoço-convívio organizado em sua memória.



 



 

default user photo

Abílio Manuel Silva Rocha Pinheiro

27 dezembro 2025