No final do dia 22 de dezembro de 2025, muitos bracarenses estavam confiantes de que o único tema em discussão na cidade seriam as horas dos encontros que ocorriam junto ao bananeiro. No entanto, quis a fantasia política brindar a cidade com um novo tema e os bracarenses, perdidos nas festividades, ficaram sem entender o que lhes tinha acontecido.
Num dos melhores romances modernos dos últimos anos, Um Gentleman em Moscovo, de Amor Towles, a personagem principal, o Conde Alexander Rostov, quando questionado por uma assembleia comunista sobre a sua profissão, responde: “Um cavalheiro não tem profissão”. Depois do dia 22, os bracarenses questionam qual a ideia de oposição incorporada por uma coligação entre o Amar e Servir Braga, a Iniciativa Liberal e o Partido Socialista. Perante a pergunta sobre qual o propósito de uma oposição, estes parecem responder: uma oposição obstaculiza.
Neste sentido, basta observar que apenas existem duas posições face ao documento mais discutido em qualquer Câmara Municipal, favor ou contra e não há mal nenhum nisso. O PDM de Braga é o documento mais conhecido, escrutinado, debatido e transparente da nossa cidade. Diria mesmo que não há outro documento na nossa democracia, com exceção do Orçamento do Estado, que seja tão amplamente conhecido e analisado como uma alteração ao Plano Diretor Municipal.
O PDM esteve em discussão pública no início do ano, voltou a estar em discussão pública em setembro e, em todos esses momentos, qualquer cidadão bracarense pôde consultá-lo, questioná-lo e até lançar dúvidas sobre o documento, incluindo os vereadores da oposição. Aliás, numa campanha em que a oposição praticamente se limitou a atacar o candidato da coligação Juntos por Braga, atual Presidente da Câmara, a grande crítica era precisamente a não aprovação do PDM. Muitos asseguravam que o mesmo não seria aprovado até ao final do ano, fazendo mesmo vídeos a celebrar o feito. Na verdade, isso fez de nós pessoas desatentas e ingénuas, porque eles já sabiam que, na oposição, teriam o poder de tentar parar o vento com as mãos, embora o vento encontre sempre uma brecha por onde passar. O mais irónico e surrealista de toda esta situação é ver que, nas semanas que antecederam o bananeiro, vários membros da oposição afirmavam aos bracarenses que seria impossível aprovar o PDM até ao final do ano, vendendo essa realidade como uma derrota política de João Rodrigues. No entanto, a realidade do trabalho acabou por superar a realidade da política digital, e o PDM estava, de facto, preparado para aprovação.
Esse choque levou a oposição a unir-se num único propósito: garantir que a palavra dada e honrada pelo Presidente da Câmara fosse adiada, para que este não pudesse afirmar que cumpriu aquilo que prometeu. A situação torna-se ainda mais surrealista quando os vereadores da oposição reprovam o PDM por alegada falta de esclarecimentos. Esclarecimentos esses que foram disponibilizados em várias datas para sessões técnicas. Aliás, um dos vereadores da oposição participou nesses esclarecimentos.
É difícil compreender que o argumento apresentado seja tão frágil e que não tenha existido a coragem de afirmar claramente: voto contra porque tenho uma visão diferente para a cidade. Pelo contrário, admitem votar favoravelmente, mas defendem que a votação não poderia ter ocorrido naquela data, como se fosse mais importante impedir que um presidente em minoria aprove um documento essencial para o futuro de Braga.
Este é um PDM que garantirá mais habitação para a cidade e é um plano fundamental para a minha geração. Não podemos permitir que aqueles que exigiam a aprovação do PDM e atiravam pedras por ele ainda não estar aprovado, sejam agora dignos da nossa confiança.
Se Braga tivesse uma palavra para definir o ano de 2025, essa palavra seria Plano Diretor Municipal, porque todos ouvimos falar dele e todos o discutimos. O surrealismo das três forças da oposição acabará por esbarrar na realidade daquilo que os bracarenses realmente pretendem. Tal como o Conde Rostov não cedeu ao pragmatismo dos comunistas, cabe agora ao Presidente da Câmara, João Rodrigues, não ceder a esta forma pequenina de fazer política.