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O mundo sujo da bola

O Natal já passou e espero que tenha sido um período de harmonia em toda a Legião do Minho, assim como junto de todos os estimados seguidores dos meus artigos de opinião.

O texto que hoje vos apresento surge um pouco fora da quadra natalícia que ainda vivemos, pois tem como finalidade abordar o mundo sujo em que a bola rola em Portugal.

O futebol é um desporto de inverno, como tantas vezes é apelidado, pelo que a bola, por norma, já enfrenta dificuldades em manter-se limpa, uma vez que os terrenos encharcados contribuem para a sua sujidade. No entanto, é de outro tipo de sujidade que falarei em seguida no que ao futebol diz respeito.

O futebol português vive, desde sempre, da predominância de três clubes e da subordinação dos restantes, num sistema miserável que impede o seu verdadeiro desenvolvimento. É este sistema que condiciona toda a envolvência do futebol, com especial destaque para as arbitragens e para a sua influência decisiva na definição de muitos resultados. O contexto que envolve o futebol em Portugal é infeliz, mas também profundamente sujo e descredibilizante.

As últimas épocas têm sido pródigas em incidências negativas causadas pelas arbitragens. Contudo, esta situação tem-se agravado com o apuramento direto e exclusivo do campeão nacional para a milionária Liga dos Campeões, competição que serve de suporte financeiro a vários orçamentos.

O exemplo negativo mais presente na nossa memória recente vem dos Açores, onde o Santa Clara se viu prejudicado por duas vezes, num curto espaço de tempo, frente ao Sporting CP. Se, na Liga Portuguesa, ainda se pode interpretar o canto mal assinalado que resultou no triunfo dos leões como uma infeliz coincidência que prejudicou os açorianos, já na Taça de Portugal o contexto que ditou o apuramento dos leões transformou-se numa verdadeira vergonha internacional, que muitos prefeririam esconder.

Em síntese, o Santa Clara alcançou a vantagem pela primeira vez a escassos quatro minutos do final do encontro, ainda sem tempo de compensação anunciado, o que fazia antever um apuramento surpreendente da equipa insular. Contudo, volvido apenas um minuto, a formação açoriana ficou reduzida a dez jogadores, na sequência de uma expulsão decretada pelo árbitro João Pinheiro, sem que qualquer imagem a sustentasse. Ainda assim, o encontro decorria já no período de descontos quando um lance absolutamente banal levou a uma paragem surreal do jogo durante doze minutos, para que o VAR, contrariando todas as normas vigentes, procurasse um eventual motivo para assinalar uma grande penalidade. Esta acabaria por ser marcada, sem que o árbitro tivesse a decência de corrigir a absurda interrupção nem de contrariar a postura do VAR nesse lance.

Desta forma, os leões chegaram ao empate, castigando de forma cruel o Santa Clara e ferindo gravemente o futebol em geral, ao impedir que os açorianos prosseguissem na prova. Nos tempos mais recentes, este é o exemplo que melhor ilustra o mundo sujo da bola em Portugal, onde os mais fortes são beneficiados e os mais fracos prejudicados, como (quase) sempre acontece.

Uma nota final para o SC Braga que, depois de um percalço inesperado na liga portuguesa, garantiu o apuramento para os quartos de final da Taça de Portugal, deixando pelo caminho o Caldas SC e mantendo-se vivo em todas as competições em que está envolvido.


A

António Costa

António Costa

26 dezembro 2025