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O presépio das presidenciais e não só

Liguei para saber como iam as coisas. Responderam-me com o refrão de Paulo de Carvalho: por aqui tudo vai mal. Felizmente, a Família estava bem e não havia doenças a apoquentar qualquer dos seus membros. O que ia mal era a vida política, afectada, como de costume, por manobras, casos e aproveitamentos sem fim. Na interlocução expliquei a razão da minha pergunta e a impossibilidade pessoal no domínio dos temas que percorrem os jornais e os telejornais nas televisões portuguesas. Claro que a internet nos liga fácil à realidade que se passa em qualquer parte do mundo, mas não é a mesma coisa. A comunicação é preciosa quando vivida na presença física. Ninguém substitui os nossos sentidos.


 

Disseram-me que o caso da Spinumviva foi arquivado. Tanto tempo a manterem-se as dúvidas sobre se Luís Montenegro tinha infringido a lei! Alguém que seja visado, como ele, mesmo que inocentado, jamais terá paz. As suspeitas vão ficar amarradas ao caso e à pessoa. Alguma coisa há-de estar mal no código processual e, particularmente, no próprio processo de investigação. Falta de formação adequada dos investigadores? Ausência do mínimo de independência dos profissionais? Pressão sobre estes no sentido de que as conclusões sejam retiradas num determinado sentido?


 

Disseram-me também que tinha estoirado um outro caso que deixava em maus lençóis o candidato presidencial Luís Marques Mendes. O candidato reagiu de imediato às denúncias de que tivera, através de uma empresa familiar, um contrato chorudo com uma empresa de construção, tendo tornado pública uma lista com todos os seus clientes antes de se candidatar à Presidência da República. O Ministério Público já veio dizer que não abrirá qualquer inquérito ao caso da denúncia anónima por ausência de facto que possa indiciar um crime. Este caso, como o outro relacionado com a empresa igualmente familiar de Luís Montenegro, está a servir para que se crie uma suspeição generalizada em relação aos actores políticos, algo que não é saudável para a democracia. Contudo, isso não significa que os casos não devam ser escrutinados face às disposições da lei, sendo recomendável que haja diligências oportunas, com conclusões objectivas e sérias.


 

No presépio da vida política não figuram só personagens exemplares – amiúde, são poucas as que escapam à crítica da sociedade –, mas nenhuma deve ser acusada sem fundamento bastante, nem deve ser retirada de cena por dor de cotovelo ou vingança. O que deixo dito não significa da parte do signatário qualquer apoio às pessoas visadas. De resto, já revelei publicamente o meu candidato favorito à Presidência da República – António José Seguro – e não penso mudar o meu sentido de voto. Mas, atenção, quando monto o presépio, não o quero sem árvore. É lá que penduro as prendas e é de lá que retiro as minhas. Preciso é que os candidatos se apresentem sem rastos negativos de qualquer espécie. O seu a seu dono, com verdade e, sobretudo, com autenticidade. O escrutínio não deve faltar, mas sem batota, condicionamento e com verdade. Neste tempo de preparação para as Presidenciais, nem tudo vai bem. Talvez esteja a faltar um pouco mais de ambiente. Presépio sem árvore não é presépio.

Luís Martins

Luís Martins

23 dezembro 2025