Vamos cantar a Noite de paz, é lindo, é tradicional, mas é, no momento internacional que estamos a viver, uma chama no meio de um grande incêndio. Este lavra na hipótese, não absurda, de uma guerra nuclear porque o fermento vindo da invasão dos Estados Unidos da América contra o tráfego de droga da Venezuela é, por si só, um sinal de perigo iminente. Por aqui e acolá há guerrilhas que, embora pequenas, podem incendiar uma região. Parece que o Mundo se cansou da paz, daquele sossego dos cidadãos viverem sem conflitos para dar entre eles o abraço generoso da tolerância. Não percebem que mais importante que ter o domínio da força, é ter o domínio da amizade e esta sem necessidade de contratos de paz duradoira, ou garantias em papel. Vemos todos como a paz é a saúde da humanidade e, como tal, estar em guerra é estar doente; em alguns casos em doença terminal. É tão bom e suave ouvir o jingle-bells na voz das crianças, porque das sua bocas infantis imana um desejo de todos. É tão custoso admitir que, para haver paz, os países tenham de gastar os seus dinheiros em armamento em vez de o gastar em socorros aos mais necessitados, seja em remédios, seja em comida para saciar a fome. Custa muito ver as crianças africanas, bocas hiantes, olhar a morte de perto porque lhes falta um pouco de comida: um pouco do que custa um navio de guerra chegava para salvar a existência de todas as crianças de um continente. Em vez de um pacote de leite ou uma tigela de comida, os senhores das guerras costumam gastar milhares de milhões em drones e bombas incendiárias, atiradas a distâncias cada vez maiores, ou no poder militar fortemente armado com explosivos cada vez mais devastadores. Custa ver a injustiça desta comparação. Será que à Rússia faltam terrenos para querer mais um pouco da Ucrânia? Será que Israel ainda se não fartou do genocídio que realiza diariamente? O homem não se farta de sangue? Será que Trump apresenta a caça à droga como pretexto para invadir a Venezuela? E as crianças continuam a cantar hinos à paz e os maiores continuam a cantar a paz, mas a usar cada vez mais os cemitérios .Que os coveiros ponham de parte as pás e se juntem para fazer a paz. É este o meu desejo sincero para este Ano Novo que se avizinha.