1. Na homilia da Missa do dia de S. Geraldo D. José Cordeiro fez referência à «Carta das Religiões - Locais de culto em Braga».
É um estudo da responsabilidade de um grupo constituído por Paulo Mendes Pinto, Marcos Bazmandegan, Jorge Santos, Jorge Botelho Moniz, Hélia Bracons, Joaquim Franco e Sofia Sousa Claro.
O texto encontra-se no site da Câmara Municipal de Braga. Informa de lugares de culto católico em 63 paróquias do concelho de Braga, na Igreja Ortodoxa Ucraniana, em 59 comunidades protestantes e evangélicas, em duas comunidades restauracionistas (a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias e Testemunhas de Jeová), Associação Cultural Islâmica de Braga, Comunidade Bahá’i de Braga, Bhakti Marga Portugal (Hinduísmo), cinco comunidades de Doutrinas Espiritualistas (espiritismo).
2. Braga, concluem os autores do estudo, revela hoje uma face mais plural e multicultural no domínio religioso.
Destaca-se a presença islâmica, na cidade, ainda que de menor expressão, composta por membros oriundos de diferentes países africanos e do subcontinente indiano. O islamismo tem vindo a afirmar-se em Braga de forma progressiva, ainda que discreta.
O cristianismo mantém-se como a fé dominante em Braga, embora numa configuração cada vez mais plural. Para além dos católicos marcam presença também comunidades protestantes e evangélicas – estas últimas em notável crescimento nos últimos anos.
3. O crescimento das comunidades protestantes e evangélicas em Braga não implica, necessariamente, uma diminuição da população católica, até porque não se observa aqui um fenómeno de conversão em massa ou de mudança religiosa generalizada.
O aumento do número de protestantes e evangélicos resulta sobretudo da migração, em particular da brasileira, que tem tido também um impacto positivo no catolicismo local. Muitos destes migrantes são católicos e, em vários casos, são hoje membros ativos, dinâmicos e participativos nas comunidades católicas onde se inserem.
4. A presença de migrantes oriundos de países de língua inglesa, ou de países onde o inglês é amplamente utilizado como segunda língua, tem vindo a crescer na cidade de Braga.
Este fenómeno tem levado ao surgimento de comunidades evangélicas de expressão inglesa, bem como à celebração regular de eucaristias católicas nesta língua, sobretudo em igrejas situadas no centro da cidade.
5. O estudo destaca a Aldeia das Religiões, organizada pela paróquia de São Tiago de Priscos, evento único em Portugal cuja primeira edição ocorreu em 2012 e foi retomada em 2024.
Esta iniciativa inter-religiosa visa promover o diálogo, a compreensão mútua e a tolerância entre diversas tradições religiosas.
Tem um papel relevante na promoção da paz e da convivência intercultural.
Constitui um exemplo notável do esforço em fomentar uma sociedade inclusiva e plural, valorizando a diversidade religiosa como contributo essencial para o desenvolvimento social e cultural.
6. A existência de tantas religiões não deve pôr em causa a unidade entre as pessoas. Unidade no respeito pela legítima diversidade. Temos um pai comum: Deus, o que significa ver no outro não um adversário, não um concorrente, mas um irmão. Quem professa uma religião cristã deve ter presente a oração de Jesus em quinta-feira Santa: que todos sejam um.
É também convite a que se estimule o diálogo ecuménico e inter-religioso e incremente o espírito de Assis, iniciado com João Paulo II. Em 27 de outubro de 1986 convocou para Assis os representantes das religiões de todo o mundo, a fim de que todos juntos rezassem pela paz.
Acolheram o convite 70 representantes das principais Religiões. Daí saiu a esperança de se poder edificar um mundo diferente, fraterno e plenamente humano.
7. Professo a religião Católica. Estou persuadido de que aí se encontra a verdade. Isso não significa que me não sinta no dever de respeitar as legítimas opções dos outros. É este, penso, o dever de cada um dos crentes, seja qual for a religião que professe.
O pior testemunho que um crente pode dar é o de andar em guerras por causa de Deus, Deus que é Amor e Pai de todos.