As missões profissionais na área da pesquisa e prospeção mineira, pelos diversos países e continentes, foram enriquecedoras e transmitiram formas de ser e estar, quer no conhecimento das populações residentes, através das suas características étnicas ou de vivência das condições antrópicas, sociais e climáticas, quer nas potencialidades de recursos naturais, agropecuária ou de criação de meios de sobrevivência e potencialidades económicas.
Numa das deslocações ao Colorado, nos Estados Unidos da América, em junho de 1978, tivemos a possibilidade de estar em Como, cidade fundada em 1830, e em Fairplay, nas montanhas rochosas, onde na altura havia uma grande exploração de ouro e também de outros minerais com grandes potencialidades económicas.
Foram momentos magníficos, viver na natureza montanhosa e conhecer situações ligadas ao passado, contactando com a realidade local e com aspetos ligados a períodos glaciares, que marcaram profundamente a região e colocaram a descoberto ocorrências de relevância mineira e económica.
Numa das deslocações profissionais de análise e consultoria, tivemos ocasião de tomar conhecimento de situações ligadas ao passado na corrida ao ouro e prata naquela região, que deixaram marcas históricas, principalmente entre 1867-1930, no distrito de Fair Play-Alma, quando os acessos eram difíceis e por vezes muito inacessíveis.
Encontrou-se um monumento em pedra com uma placa, alusiva à missão de uma burrinha, que efetuava o percurso entre a exploração mineira do ouro e a localidade de Fair Play, e transportava os produtos necessários à alimentação e sobrevivência dos mineiros, assim como encomendas, fazendo com frequência o percurso, função das necessidades, sem qualquer ser humano e levando apenas indicações das necessidades, alimentando-se à chegada e vivendo depois com os mineiros na área da exploração.
Uma outra história passou-se com uma mulher que vivia numa cabana e os mineiros muito acarinhavam, tendo havido uma epidemia de varíola, que vitimou vários, mas que ela sempre acompanhou e tratou.
Os que sobreviveram, como testemunho de reconhecimento, ofereceram uns sapatos com tacão de prata, no ano de 1870, passando a povoação a chamar-se Silver Hills (colinas prateadas).
Na mesma região onde havia muito ouro, com jazigos mineiros muito valiosos e produtivos, foi encontrada uma sepultura onde a mulher do marido mineiro foi sepultada, com milhares de pepitas de ouro, como testemunho do reconhecimento de uma vida difícil, mas acompanhado com proximidade e amor fraterno.
Estas e outras situações tivemos oportunidade de observar, como demonstração das dificuldades vividas ao longo de séculos, desde o neolítico, pelo setor mineiro e seus trabalhadores, antes de serem introduzidos métodos menos desgastantes e inovadores, na exploração da indústria mineira.