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“Chuva miudinha”

 

 



 

Desde a tomada de posse do executivo Municipal de Braga, algumas ‘nuvens’ se começaram a adensar no imperioso diálogo autárquico. Isto, porque a sua tão almejada maioria absoluta redundou em relativa. O que faz daquilo que se perspetivava vir a ser o ‘céu limpo’ do consenso, vai-se traduzindo no relampeante verberar ao líder de uma das forças políticas igualitária em mandatos. Dado ter-se mostrado pouco cordato quanto à totalidade de uma obra que, na sua perspetiva, não acha premente, mas que esta nomenclatura autárquica entendeu que é, a bem da cidade dos Arcebispos. 

Ora, quem anda enganchado na política deveria saber que em democracia há sempre alguém que resolva entrar em desacordo. Daí que para chamar à razão quem está renitente em se mostrar a favor, seja necessário o diálogo democrático, sereno e profícuo. E nunca optar pelo enxovalho público, seja ele frontal ou não, como forma de defender uma simples de cosmética urbana. Pois quem hoje procura semear ‘ventos’ arrisca-se, um dia, a colher uma ‘tempestade’. Porque hoje é este(a), amanhã será aquele(a) a presidir aos destinos da Câmara Municipal de Braga (CMB). Dado ser o povo, em futuro plesbicito eleitoral, a ordenar. 

Há uma mania naqueles que, julgando-se o suprassumo da política autárquica bracarense – talvez por se arrastarem há alguns anos pelos corredores da Sede Municipal – acham que a experiência e a competência nascem com as pessoas. Tais predicados, a meu ver, só vêm ao de cima com o dia-a-dia num cargo. Não podendo ser como o velho dito popular de que ‘a pescada antes de ser, já o era’. Ou seja, é algo que se manifesta no decorrer da atividade.

No entanto, há que manter a lisura e o respeito por quem dá os primeiros passos na oposição, pensa diferente e tem outra visão. Não vendo motivo para ser alvo de humilhações. Se formos a ver andam por aí alguns ex-jotas partidários enfarinhados na ‘bajulação’ que, de olhos postos num eventual tacho, o que fazem é desacreditar o pessoal. E não adianta apelar à cidadania participativa das pessoas e fazer apelo ao voto quando elas, enquanto eleitoras, vêm desrespeita a sua escolha. Aliás é a nossa Constituição, Art.º 51, que confere aos cidadãos o direito à liberdade de formarem partidos políticos e movimentos. Porém, se acham que é com repelente que se grudam os adversários aos acordos, desenganem-se. 

Depois, há que ter a noção de que nem sempre o que parece óbvio o é. Ou seja, nem sempre se traduz naquilo em que se acreditava vir a ser. Pois já vi convictos apoiantes do ex-Presidente da CMB a virarem o bico ao prego por ele não ter satisfeito a sua vontade. Nesse aspeto, devo dizer que não votei na força coligada vencedora, nem na independente aqui visada. Mas tive familiares e amigos que não só o fizeram, como lamentam as preleções públicas de alguns aduladores do atual Edil-mor. E embora não consiga dizer que não me reveja em alguns aspetos do seu programa eleitoral, acabo de constatar que o ponto referente aos transportes urbanos gratuitos já deu lugar à maior agilidade no seu pagamento.

Enquanto munícipe, desejo que o novo Presidente da CMB use o bom senso. Aconselhe os recadeiros da sua entourage a evitar os ralhetes à oposição e alcance os objetivos que traçou para a cidade e todo o concelho. De resto, é demasiado cedo para se lhe tecerem loas. Para já, a par das boas intenções, o que temos é uma espécie de ‘nuvem’ a descarregar “chuva miudinha” de mimos ao líder independente que, abrigado no chapéu das suas ideias para Braga, deu brado na refega eleitoral. 

Estou p’ra ver o que vai sair da remodelação do largo fronteiriço à Igreja do Pópulo. Espero que não seja pretexto para eclipsar a imponente estátua que lá está. É que, apesar de ser algo assumido lá a trás, acho a obra algo precipitada. Faria mais sentido, penso eu, retirar os ‘cacarecos’ do espaço fronteiriço ao Lar Conde de Agrolongo e devolver ao Campo da Vinha a desafogada praça que a nossa Bracara Augusta merece.



 

Narciso Mendes

Narciso Mendes

15 dezembro 2025