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A democracia é “bela”!

 


 

 


 

Não vou discutir as virtualidades e as fragilidades da democracia. Isso é um assunto tão usual como ar que respiramos. Eu sei que para alguns partidos é o porto de abrigo que lhes permite navegar sem rota como sinal de existência, de identificação e de activismo. E também sei o que se passa pelo mundo fora nesta matéria: há democracias para todos os gostos. E com feitios diversos. É muito chique e muito pertinente falar-se em “democracia”. Fica bem a qualquer político que se preze e a qualquer cidadão que se pavoneie de dizer que é “democrata”. Dá-lhe um bom “endurance” para o debate e para as conversas, mesmo de café, e proporciona-lhe também uma capa que os protegem aparentemente dos ataques soezes dos seus “opositores”.


 

1 - Falemos, a este propósito, do nosso país e olhemos de frente para os pendores democráticos que cá existem. O PCP, sempre retrógrado, por exemplo, fala de democracia e do 25 de Abril, com tal regozijo como uma criança quando vê uma guloseima. Não importa que lhe faça mal ou lhe provoque cárie dentária. A criança come a guloseima com avidez e o PCP “tresanda” democracia por todos os poros. Contudo, toda a gente sabe que nas “democracias ditas comunistas” só existe um partido, um partido único, e uma ideologia que restringe ao máximo dos máximos a abertura económica ao sector privado. E a liberdade individual, nessa ideologia, está sempre em causa. Os actos eleitorais, quando existem, não são para levar a sério e só servem para iludir as instituições internacionais. Para seu gáudio ideológico trata, defende e bombardeia o “cidadão”, aparentemente, com as tais democracias, sempre niveladas pelos índices do atraso e da pobreza que, por vezes, se encosta à fasquia da chamada “pobreza franciscana”.


 

2 - Basta tomar como referência os países Angola e Moçambique, de hoje. E claro, tantos outros e por todos os continentes que correram atrás da utopia marxista e desaguaram num mar de escolhos e de alçapões elitistas. Países, com grande potencial para uma economia florescente e com recursos naturais enormes, que se tornaram miseráveis sobre o ponto de vista humano, social, sanitário e educativo. Tornaram-se ditaduras atrozes e de terror. De perseguição e de destruição dos opositores. Por imposições políticas de fora, foram obrigados a mudar ilusoriamente o rumo ideológico, permitindo o acto eleitoral, sem, contudo, perderem ou cederem o poder. Ganham sempre, mesmo perdendo nas urnas. Desde 1975, os mesmos, sempre os mesmos, dominam o poder e as pessoas, caminhando alegremente para a miséria colectiva, para a humilhação social e para a penúria económica. A corrupção e a cleptocracia são marcas indeléveis desses regimes desumanos. Mas, no final, falam pomposamente em democracia. 


 

3 - Olhemos ainda para a ideologia extremista do Bloco de Esquerda e do Livre. Partidos residuais no espectro eleitoral, mas que se arvoram em grandes defensores da liberdade, das igualdades e da democracia plena. Que democracia é essa que defendem? A democracia dos cancelamentos? Das liberdades condicionadas? Da destruição dos sectores privados? De um SNS falido? De uma escola pública para os outros, quando as “elites” desses partidos colocam os seus filhos nas escolas privadas? De um estatismo anacrónico e irresponsável?


 

4 - A verdade é que o eleitorado nacional sacudiu a esquerda para a irrelevância política. A esquerda. dura e extremista, perdeu completamente o pé da realidade e já deu o que tinha para dar. Deu ilusões ideológicas e trambolhões sociais. Deu esperanças vazias e construções demagógicas. Contas feitas, deu nada, porque nada tinha para dar. 


 

Como ponto final - O desenvolvimento de um país, a criação de riqueza e o bem-estar das pessoas não passam, de maneira nenhuma, por essas linhas político-ideológicas, pois essas linhas visam o atraso económico, a mediocridade, a crispação e a clivagem social. A igualdade na pobreza. Disso não tenho dúvidas. As sociedades evoluídas precisam de arrojo, de investimento, de iniciativa. De liberdade económica, social, educativa. Sim, de LIBERDADE.


 

Armindo Oliveira

Armindo Oliveira

7 dezembro 2025