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1.ª Grande Revolta Contra a Ditadura: Fevereiro de 1927

A Revolta de Fevereiro de 1927, foi uma insurreição militar contra a ditadura instaurada em 28/5/1926, nascida em Braga. Foi em 3-9/2/27, Porto, e, depois, Lisboa e outras cidades. Não obstante mobilizar militares e civis democratas, “terminou” na derrota da democracia, deixando mais de 150 mortos e cerca de 900 feridos. Foi a 1ª tentativa credível para derrubar o Estado Novo e marcou o início do “Movimento Reviralhista”, 1926/40, para o fim da ditadura. A I república portuguesa (1910/26) foi marcada por profunda corrupção, instabilidade, governos de pouca duração, golpes e greves, o que gerou cansaço social... A intervenção militar de 28/5 foi bem recebida pela maioria da população: suspendeu a Constituição, dissolveu o parlamento e restringiu direitos (deveres), liberdades e garantias de modo desproporcional, desnecessário e desadequado. A Ditadura Militar Nacional! E o curioso é que muitos republicanos moderados aceitaram-na como solução para a instabilidade. Porém, os republicanos democratas, embora fragilizados, mantiveram-se activos, sobretudo militares e trabalhadores. Para estes, o evento de 28/5/26 parecia só mais uma insurreição, passível de ser revertida. A conspiração foi preparada por democratas nortenhos, com destaque para o General Adalberto Gastão de Sousa Dias, o Comandante Jaime de Morais, o Capitão Sarmento Pimentel, o Tenente João Pereira de Carvalho, além de figuras civis como Jaime Cortesão, Raul Proença e José Domingues dos Santos. Também aqui se destacou o nosso Parente Tenente-Coronel Inácio Severino Soares de Mello Bandeira (Viseu, 1882-Cabo Verde, 1936), o qual foi por nós homenageado no anterior artigo. É aliás, um dos principais protagonistas desta revolução, pois juntamente com o Comandante Jaime de Morais (Macedo de Cavaleiros, 1882-1973, Niterói, Brasil), foram aqueles que tentaram negociar a paz. A diferença é que Mello Bandeira foi torturado e assassinado em Cabo Verde, enquanto Morais conseguiu escapar de S. Tomé para França. O Porto Invicto foi seleccionado como trampolim da revolta, por causa da tradição republicana das suas Guarnições. O plano previa que, após o Porto, Lisboa apoiasse, imobilizando o governo. No Porto, a revolta iniciou-se a 3/2/27, liderada por Sousa Dias, com tropas entrincheiradas na Praça da Batalha. Ainda que existissem apoios pontuais no Norte, faltou a esperada adesão de Lisboa, e a superioridade governamental em artilharia e tropas apertou o cerco. Sem munições, os revoltosos renderam-se a 8/2, depois de combates que causaram mais de 100 mortos, 500 feridos e grande destruição. Muitos deles foram desarmados e fuzilados logo ali nas ruas do Porto. Já em Lisboa, o movimento foi hesitante: greves e motins civis surgiram a 5/2, seguidos por adesões militares limitadas no dia 7, marinheiros e parte da GNR. A repressão foi rápida; navios revoltosos foram atacados pela Aviação, e a maioria do Exército manteve-se fiel à ditadura. Cercados por Passos e Sousa, os rebeldes renderam-se a 9/2. O saldo foi por volta dos 90 mortos e mais de 400 feridos. A causa dos republicanos-democratas tinha demasiadas fragilidades para sair vencedora. De qualquer modo, estava inaugurado um período de contínuas revoltas democratas contra a ditadura, chamado de “Reviralhista”, o qual existiu até 1940. Sousa Dias culpou a inacção de unidades militares em Lisboa que poderiam ter garantido a vitória. Os revoltosos foram presos e levados para Lisboa: Sousa Dias, 2 Coronéis, 3 Majores, 18 Capitães, 55 Tenentes, 6 alferes, vários Sargentos, Cabos e civis. Ainda que derrotada, a Revolta de 2/1927 foi um momento essencial na História Política Portuguesa. Rectius, foi a única ameaça real ao Estado Novo da ditadura e inaugurou o ciclo de Insurreições Reviralhistas. Se por um lado, mostrou a persistência da “resistência democrata”, também demonstrou, por outro lado, a crescente eficácia repressiva do regime. O preço humano foi muito elevado, mas a “revolução fracassada” consolidou, por ironia, a força da ditadura e abriu caminho para o Estado Novo. Espinosa diz que todos os momentos são infinitos. O Tenente-Coronel Inácio Severino Soares de Mello Bandeira, democrata com origem na velha Nobreza Portuguesa das Beiras, comandou as metralhadoras com êxito na I Grande Guerra em África contra tropas Alemãs, assim como orientou pesadas baixas entre apoiantes da ditadura no Porto. Pagou um preço alto, mas ficou na História dos Herói Democratas, ao invés de alguns patetas do 25 de Abril.

Gonçalo S. de Mello Bandeira

Gonçalo S. de Mello Bandeira

29 agosto 2025