Antes de lhe confiar o poder de apascentar as Suas ovelhas, Jesus fez apenas uma pergunta a Simão Pedro. Mas fê-la por três vezes.
«Simão, filho de João, “amas-Me” mais do que estes?» (cf. Jo 21, 15. 16. 17). Por cada resposta, a mesma incumbência: «Apascenta as Minhas ovelhas» (cf. Jo 21, 15.16.17).
Isto significa que, para Jesus, o maior critério para exercer o poder é o amor. Não é o poder que qualifica o amor; é o amor que valida o poder.
A respeito de Santa Escolástica, irmã de São Bento, São Gregório Magno observou: «Tem mais poder quem mais ama».
O poder é importante, mas o amor é inadiável. É por isso que Jesus não pergunta a Pedro se O amará. Pergunta simplesmente se O ama.
«Hoje – sinalizou Timothy Radcliffe – é o único dia que existe». É, portanto, o único dia para amar. E, consequentemente, o único dia para exercer o poder que advém do amor.
Certamente Pedro também era discípulo amado. Provavelmente, contudo, não terá incorporado como devia o amor com que Jesus o cercou.
Não será o que nos acontece amiúde? Por tal motivo é que o nosso modelo prototípico deve ser o Discípulo Amado, aquele que sorveu o amor nele depositado pelo Senhor.
Só é legítimo portador de autoridade quem se dispõe a ser persistente portador do amor.
Enquanto Casa do Amor, a Igreja é chamada a ser – antes de mais e acima de tudo – a comunidade daqueles que se deixam amar.
O Mandamento Novo (cf. Jo 13, 34) contém o pressuposto fundamental e a ilação decisiva.
Só é possível amar com o amor de Cristo, com o amor que Cristo fixa em nós.
Daí que o Discípulo Amado seja aquele que vê correctamente, embora Pedro tivesse sido o primeiro a entrar no túmulo aberto (cf. Jo 20, 8).
Razão teve, pois, Ricardo de São Vítor: «Ubi amor, ibi oculus» («Onde está o amor, aí estão os olhos»). Apenas com os olhos do amor se consegue ver bem.
Quando, após a Ressurreição, os amargurados discípulos vão pescar, não reconhecem o Desconhecido que Se aproxima.
Foi o Discípulo Amado que desbloqueou o enigma: «É o Senhor» (Jo 21, 7). Ele reconhece Jesus porque tem amor no olhar.
Podemos estar ornados de muitas competências para agir. Podemos ter muitos conhecimentos de conceitos.
Mas só reconheceremos a situação real das pessoas se as amarmos.
Por conseguinte, é imperioso amar aqueles a quem nos dirigimos, aqueles com quem – e para quem – trabalhamos.
Precisamos de aprender com o Discípulo Amado!