Certamente que se compreende a decisão do Senhor Presidente da República de encarregar o presidente do PSD para formar novo governo. Saiu das últimas eleições – aliás, por ele provocadas – com algum reforço parlamentar. Não o suficiente para poder governar dum modo maioritário o país, mas tendo mais deputados na Assembleia da República a proteger a sua tarefa, o que lhe dá, à partida, uma maior força para propor metas e soluções.
Seja como for, a situação política do país é complexa, porque precisa o governo de Montenegro de contar com a aceitação positiva de uma parte da oposição às suas propostas. E evitar a apresentação de medidas que sejam rejeitadas de uma forma radical pelos partidos existentes na Assembleia da República, nomeadamente pelo Chega e pelo PS, que podem oferecer uma resistência mais forte às pretensões governativas.
Por isso, Montenegro tem de saber lidar com uma situação em que necessita de negociar com frequência a aceitação de medidas que quiser pôr em prática.
È óbvio que também quem não pertence ao mundo político do primeiro ministro, deve sempre considerar que uma negação absoluta de colaborar com ele não será certamente uma atitude de quem é sensato e sabe que o país precisa de um governo que não se veja totalmente incapaz de actuar.
Desejemos a Luís Montenegro um bom trabalho em prol do país. Creio que, como em muitos portugueses, é provável que haja no nosso íntimo um certo “fartanço” de eleições. Certamente que as do próximo ano são realidades sadias de uma democracia e não têm nada a ver com o referido “fartanço” que se recordou. De tempos a tempos, é necessário votar para elegermos um novo presidente da república e preenchermos as autarquias com os dirigentes encarregados de as conduzir.
Por outro lado, para que um governo cumpra as suas obrigações necessita de um clima de segurança e de capacidade para propor legítimas soluções, a fim de resolver os problemas e as situações que deve enfrentar. Eis o que esperamos da conduta de quem, nestes próximos tempos, se encontra na oposição. Decerto que pode não ver solucionadas muitas realidades do modo como gostaria de as levar a cabo à sua maneira. Mas isso não a obriga a desenvolver uma completa oposição a tudo o que quem governa o país entende realizar.
O bom senso do primeiro ministro, já escolhido pelo Presidente da Pepública, certamente que irá manifestar-se na forma de escolher os seus colegas de governo. Como ele referiu por estes dias, haverá alguns que já o companhavam anteriormente e caras que se estreiam na nova fase governativa. Vejamos como decorrerá o futuro da nossa vida política e pública nos próximos tempos. E creio que todos desejamos estabilidade e competência na forma de orientar e de realizar as tarefas que lhes compete.