No artigo da semana passada, tratei do mesmo tema que agora me proponho abordar, dada a sua importância na vida de Igreja e na vida de toda a gente de boa vontade. Trata-se do próximo Conclave a realizar no Vaticano, mais concretamente, na chamada Capela Sistina, do qual vai resultar a eleição do próximo sucessor de S. Pedro na chefia da Igreja Católica.
Uma das primeiras ideias que, penso, devo salientar, é a oração que cada fiel da Igreja deve, por sua conta, rezar. E rezar com abundância, sabendo que se há alguém que esteja interessado no bom resultado desta reunião dos cardeais eleitores é o próprio Deus. O seu exemplo concretiza-se com a encarnação da Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, que ofereceu a sua própria vida na Cruz do Monte Calvário, com o fim de proporcionar a todos os homens o máximo grau de felicidade, o Reino dos Céus. E é bom ter sempre presente que este fim não podia ser alcançado por nós, desde o chamado pecado original cometido por Adão e Eva, enganados por Satanás com a sua arte de mentira retorcida e criminosa.
Com o oferecimento da sua vida, Jesus Cristo reconquistou-nos a possibilidade de podermos participar na felicidade absoluta e perfeita de Deus, que é eterna e imutável na sua qualidade. Deu-nos o exemplo de que o amor que Ele nos tem – não esqueçamos que Cristo é a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade encarnada, isto é, que assume no seio de Maria Santíssima a nossa natureza – concretiza-se, aos olhos de quem procura a verdade, no oferecimento completo da sua vida humana na Cruz, depois de ter sofrido, física e moralmente, com absoluta voluntariedade, a humilhação de ser ultrajado e considerado como um malfeitor, ou seja, como alguém que cometeu crimes tão horrorosos que só merecem um destino: a morte na cruz, à vista de toda a gente, para servir de exemplo objectivo de alguém indigno e repleto de acções impossíveis de perdoar. Só desaparecendo para sempre da nossa companhia é que a sua existência criminosa faz sentido.
Sabemos, pela leitura dos Evangelhos, que com tanta vivacidade e simplicidade nos narram os principais traços e actos da vida de Jesus, como Ele teve o cuidado de escolher um dos seus seguidores mais próximos, Pedro, para ser o principal e universal dirigente da Igreja que fundou. Mas Pedro era perfeito, homem sem qualquer mancha de conduta? Certamente que não, como é comprovativo o seu comportamento quando Jesus está preso e ele nega que fosse um dos seus seguidores. Mas o Senhor, que lhe ensinou que a bitola do nosso perdão não deve ser exigua, mas generosa – até setenta vezes sete vezes! –, manifesta-lhe claramente esta atitude na sua pessoa, quando, apesar das suas negações, não lhe retira a confiança e continua a atribuir-lhe o encargo de ser o principal dirigente da sua Igreja. Realmente, foi S. Pedro o primeiro Papa. E é o seu próximo sucessor que o Conclave vai eleger. Compete a todo o filho da Igreja pedir ao Senhor, com toda a energia e convicção, que a escolha do futuro sucessor de S. Pedro, como chefe supremo da Igreja, seja aquele que o Espírito Santo realmente vai sugerir aos cardeais eleitores.
Certamente que a Santíssima Virgem, Mãe de Jesus e Mãe da sua Igreja, com o poder intercessor que o Senhor lhe conferiu, tal como em Caná o fez para evitar que uma festa alegre de matrimónio se transformasse numa situação de desagrado, de tristeza e de vergonha, pedirá para que tudo corra da melhor maneira neste próximo Conclave. E assim sucederá com toda a certeza.