Ser atleta, de qualquer modalidade, requer dedicação, entusiasmo, talento, trabalho, e estruturas que o possam desenvolver, sejam eles clubes, associações ou autarquias.
Os tempos de hoje não são os mesmos de antigamente porque as novas tecnologias trouxeram o sedentarismo, e a sociedade em si mudou. Os jovens enfrentam hoje outros desafios e, como tudo na vida, tem coisas positivas e negativas.
O desporto também sofre com os tempos modernos. No passado, quando um jovem começava a praticar desporto as suas capacidades físicas, técnicas e coordenativas vinham com outro desenvolvimento adquirido. A “culpa” era das “brincadeiras de rua”, as tais que faziam com que os jovens jogassem à bola de pé descalço, corressem atrás uns dos outros, saltassem muros e rompessem as suas calças. Claramente, que o sedentarismo tinha um menor peso na vida dos jovens, pois o ficar em casa era encarado de uma maneira diferente, não havia o computador, a consola, o telemóvel ou a play-station.
Mas nos dias de hoje isso não acontece e por esse motivo deram origem ao sedentarismo e o desporto jovem sofre com isso! Então como combate-lo?
Não é fácil arranjar soluções imediatas, não há varinhas mágicas, mas pode e deve fazer-se algo, pois caso contrário teremos, no futuro, muitos problemas na área da saúde.
Seguindo o exemplo de alguns países onde o estado (escolas/autarquias) constrói espaços e campos para que as populações possam praticar desporto autonomamente, criando uma dinâmica muito importante e fazendo com que centenas de jovens, em todas as idades, possam jogar livremente.
Olhando para o nosso país, o quadro é diferente, existe (embora com melhorias) pouco cuidado em dotar as nossas cidades com parques desportivos abertos ao público (exº do Complexo da Rodovia), parques que permitam aos jovens a oportunidade de, a qualquer hora do dia, praticar a sua modalidade. Se questionarmos pessoas que estejam na casa dos 40/45 anos que tenham feito desporto, como era há 20 anos atrás, as resposta serão iguais, “...no meu tempo passávamos muito mais tempo a jogar na rua do que nos pavilhões!”.
Outra situação está diretamente ligado com os clubes, em que estes poderiam aproveitar esse aumento de praticantes para os canalizar para as suas modalidades, devidamente orientados por treinadores/professores especializados, onde diariamente poderiam trabalhar o desenvolvimento das suas capacidades técnicas, coordenativas e psíquicas.
Possuir especialistas num clube, é de uma importância fundamental, se na realidade queremos ter atletas de nível daqui a alguns anos, não precisando de ter clubes ricos, mas sim clubes organizados que entendam, quais as prioridades para os nossos jovens.
Nos outros países também existem redes sociais, consolas, e outro tipo de fatores que provocam o sedentarismo, tal como em Portugal, mas, claramente, existe uma cultura e uma filosofia para a prática desportiva que, com virtudes e defeitos, cria mecanismos para desenvolver atletas de alta competição.
Por vezes somos tão ricos como os outros, simplesmente temos as nossas prioridades desajustadas.
O desporto no tempo atual
Luís Covas
18 abril 2025