Há festa política no meu país! Grande festa! Festa de arromba e gratuita. Festa com marionetes amestradas que querem exaustivamente “representar” outras odes. Também dá para a diversão. Há “brincadeiras” de meninos birrentos que procuram pequenos sarilhos para levantarem a crista. Há festa com actores de baixo quilate, com um sketch de arrasar. Repetitivo, demasiado repetitivo, enjoativo, mas de arrasar. Sketch’s encorpados, sebosos, incomodativos, mal representados nos palcos oblíquos de uma política de suspeições, de ameaças (CPI) e de insinuações torpes e descabeladas.
1 - Por estarem fora de prazo, encerraram portas as bancadas parlamentares, na sexta. Mas houve drama. Há espanto na assistência. Há incredibilidade nos eleitores. Palmas só há para um comentariado fidelizado a refastelar-se com as ”brincadeiras birrentas” daqueles engalanados de virtudes purificadoras, possuídos por uma doutrina demasiada conspurcada. Nada há a fazer, perante os sorrisinhos interiores, enegrecidos, cúmplices que se adensam em rostos crispados. O gigantismo apoteótico de fãs, que se levantam contra as “badaladas arbitrariedades” dos desafiadores dos destinos que se aventuraram por caminhos com outros horizontes, incomoda-os. Também nada há a fazer para quebrar o enguiço da pobreza, da falta de pudor, da desmemorização que assola aquelas mentes sectárias.
2 - Estes últimos tempos foram fabulosos e nebulosas para a política nacional. Houve de tudo e mais alguma coisa para o espectáculo ser grandioso. Houve censuras e confiança. Sempre metralhadas com chumbo grosso. Houve frenesim na gala. Houve “suspense”. Houve empolamentos e enrolamentos. Com toda esta bagunça, há questões relevantes a flutuar no ar dos bastidores: Será esta a tal dinâmica que a democracia precisa? Será isto a democracia a funcionar? Será este o circo que o país quer ver para se apresentar nos escaparates internacionais? Para se avançar para outros patamares de desenvolvimento? Ou será mais a gulodice pelo poder, o custe o que custar pelo poder, com o completo desrespeito pelo país e pela vontade dos cidadãos que vieram “democraticamente’ mais uma vez ao de cima?
3 - Depois de todos os afrontamentos que o governo experimentou e sentiu nestes 11 meses, chegou agora o seu fim temporário. Um fim, diga-se, turbulento, pleno de suspeições e de insinuações. Um fim marcado por demasiada crispação. De rancores até. Um fim que deixará marcas profundas na perplexidade dos cidadãos, perante a exibição estupenda, irresponsável, louca mesmo daquela linha que pensa que tem o divino direito e democrático de mandar. De impor. De se arrogar como os predestinados do regime.
Os eleitores não compreenderam a prestação destes assoberbados actores de meia tigela. Os eleitores não compreenderam as manobras do derrube e logo nesta altura de era preciso calma e sentido de Estado para recolocar os serviços públicos nos seus devidos lugares. De executar com rigor e eficácia a pipa de massa (PRR) que os serviços de assistência da comunidade nos ofertaram. Nem aproveitar as grandes benesses concedidas, esta politicagem gulosa sabe.
4 - De novo, a democracia vai-se engalanar. Lá para Maio, haverá eleições. Mais umas no calendário eleitoral. E depois - pergunta-se - o que acontecerá no dia seguinte? As expectativas de depuração política são fracas e diluídas numa solução de densidades bem diferenciadas. Será possível juntar vontades, propostas e necessidades à boa maneira germânica?
O caldo está entornado. E a tresandar a esturrado. Está intragável. Com mais ou menos sal continuará esturrado. Era preciso novos ingredientes. Os que foram usados no caldo estão demasiado estragados. Já fedem.
É caso para se dizer, agora, em termos poéticos, uma vez que era bem precisa usar uma boa dose de inspiração. A emenda será muito pior que o soneto. E será pior, porque as estrofes não seguem as regras da mestria do poema. Mas, no fim, há espectáculo!