O movimento dos Capitães de Abril foi o cerne para acabar com a ditadura salazarista, não deixando de destacar o trabalho notável realizado por Salazar na área financeira, mas depois deixando-se influenciar por autocratas económico-financeiros que contribuíram para a implantação do regime do Estado Novo, direcionado para o fascismo.
A guerra colonial conduziu a grande impacto em jovens, obrigados a cumprir o serviço militar, licenciados ou com profissões de realce, muitos com duas missões seguidas no Ultramar, assim como será de destacar a organização militar oficial. Mas face à continuidade da guerra colonial, sem perspetiva de haver caminho para a paz e proclamação da independência das colónias, visão que devia ser seguida após a segunda guerra mundial e a abertura seguida por outros países colonialistas europeus, não havia outra alternativa senão a independência.
Para dar início e construir o percurso democrático em Portugal, houve personalidades de referência militares, políticas e gestores como o General Spínola, o General Ramalho Eanes, Mário Soares, Sá Carneiro, Freitas do Amaral e gestores portugueses, muitos vindos do Ultramar, que ficarão na história de Portugal, pois souberam, como muitos outros em diversas áreas, estabelecer estratégias de ideologia adequada ao tempo, para continuidade no futuro.
Instalar e desenvolver o movimento democrático exigiu visão, abertura e interligação partidária, por vezes em condições difíceis de ultrapassar, como no 25 de novembro de 1975, mas com coragem, persistência e pensando na evolução democrática progressiva e no desenvolvimento económico do país, foram conseguidos objetivos direcionados para a progressão da classe média, melhoria das condições da população do interior rural, do ensino, incisão de meios criadores de riqueza e diversificação cultural e de expressão de comunicação.
É de salientar o trabalho realizado por grandes gestores políticos, com os seus bens patrimoniais ou empresariais, mas exercendo funções governamentais com isenção, princípios e valores, mas pensando em primeiro lugar no país e no desenvolvimento económico, com planeamento adequado às circunstâncias.
O Parlamento era constituído por personalidades com competências, experiência profissional, abertura, seriedade e sentido democrático, para dar seguimento às políticas mais assertivas para tornar o país mais consistente, abrangente e promover com solidariedade e fraternidade os cidadãos, das grandes cidades e do interior, o que se ia conseguindo com planeamento, debates construtivos, estes com ética política e parlamentar, acolhendo soluções, não discriminando partidos, pois independentemente da sua ideologia, sabiam ocupar a sua missão ao serviço dos portugueses e com respeito mútuo, não deixando de referir que na atualidade ainda os há com este esse perfil no Parlamento.
Infelizmente a situação tem vindo a degradar-se, devido à implantação do extremismo, pois na política é preciso saber estar e respeitar as ideologias, embora com direito a expressão da sua doutrina e com sentido de liberdade.
O exercício da sua função política não pode ser condicionado por assuntos irrelevantes, nem se transformar numa profissão, mas respeitando os que seguem este caminho, com princípios e valores e não transformando o Parlamento num local de ataques ideológicos ou pessoais.
A Assembleia da República e arcos partidários parlamentares, devem concentrar a sua missão na apresentação e resolução dos assuntos essenciais e atuais para o desenvolvimento do país, procurando as melhores soluções e não entrando em polémicas constantes e exploradas ou criadas por alguma comunicação social, o que vai afetar o posicionamento dos cidadãos menos formados nas suas tomadas de decisão.
É tempo de repensar a democracia instalada há 50 anos, para não voltar ao passado, pois todos somos seres humanos e é necessário prosseguir com a irradicação das desigualdades e evitar a fuga dos jovens talentos, dando condições de trabalho tecnológico e inovador, com salários adequados.