Volto às Presidenciais depois de ouvir o secretário-geral socialista, Pedro Nuno Santos, dizer a respeito do assunto a primeira parte do título – “cada coisa a seu tempo” – que escolhi para esta crónica. Obviamente, na eleição do mais alto Magistrado da Nação, as candidaturas são pessoais e não promovidas pelos partidos, embora estes produzam uma grande parte delas. É nestes casos que se justifica dizer que este ou aquele partido ganhou ou perdeu, ainda que o simples facto de uma organização política apoiar um candidato que alegadamente se apresentou como independente possa ter como consequência uma vitória ou uma derrota, comentada e celebrada, inclusive, nas sedes partidárias.
A nove ou dez meses do acto eleitoral, há já candidatos que se apresentaram, mais ou menos informalmente. André Ventura e Marques Mendes já são certos. A Iniciativa Liberal já apresentou a sua candidata, Mariana Leitão. Não se falou ainda em qualquer candidato que possa ser apoiado pelo Partido Comunista Português, pelo Bloco de Esquerda e pelo Livre. Tem-se falado noutros candidatos, como sejam, António Vitorino, puxado quase compulsivamente pela direcção do Partido Socialista, António José Seguro, ex- secretário-geral socialista, ao que parece detestado pela mesma cúpula socialista, e de Sampaio da Nóvoa, este considerado a terceira via do partido com sede no Largo do Rato. Finalmente, há muito que também se tem falado de Henrique Gouveia e Melo, alegadamente o mais independente dos potenciais candidatos e que têm sido escrutinados, pelo menos no que respeita a filiação partidária, actual ou anterior.
É mais do que certo que Gouveia e Melo vai ser candidato. Não o disse ainda, mas ninguém que entra na reforma se dá ao trabalho de denunciar sinais de que prepara uma candidatura. Marques Mendes tem já a campanha em marcha, sem contar com o período de comentário político numa estação de televisão. Quem está a perder, são os que vão dizendo que estão a ponderar. Vitorino tem estado calado. Quanto a Nóvoa, não se lhe ouviu palavra. Seguro vai construindo um caminho, recebendo apoios informais, no partido e fora dele, e tem afirmado que está ainda em reflexão.
Na área socialista, de entre os três candidatos que actualmente se perfilam, Seguro é o único que dá mostras de que quer concorrer, de que quer mesmo disputar os votos dos portugueses, ainda que não o admita em definitivo. Falta-lhe, no entanto, uma palavra do Partido Socialista, isto é, saber qual o posicionamento do partido dirigido por Pedro Nuno Santos. Naturalmente, ninguém com potencial ganhador, está para arriscar sem saber que apoios terá antes de concorrer a sério. Há sempre alguém que concorre só para o número, para ter tempo de antena, mas não é certamente o caso de Seguro. Percebe-se a “indecisão” deste, a sua prolongada ponderação, que não quer prejudicar o seu partido, mais inclinado, já se percebeu, para António Vitorino ou, se este acabar por se recusar, para a tal terceira via. O Partido Socialista está a empatar tudo. A não surgir qualquer destas duas últimas candidaturas, Pedro Nuno vai “engolir o sapo” que não queria e aí será talvez tarde demais: o candidato apoiado pelo partido do Governo e o ex-Chefe do Estado Maior da Armada serão os que vão a meças para a segunda volta. É assim que se é derrotado na guerra, ainda que o que está em causa seja eleger o Presidente de todos os portugueses. A boa gestão não perde tempo.