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Senhor Pierluigi Collina, pense em grande!

Recentemente, o atual presidente do comité de arbitragem da FIFA, Pierluigi Collina, defendeu a eliminação das recargas nos penaltis por as considerar injustas para os guarda redes. Sinceramente, de alguém que me habituei a admirar e respeitar pela forma como conduzia os jogos, esperava sugestões válidas para a melhoria do jogo ou de ajuda aos que atualmente arbitram, por ser essa também uma das principais funções de um presidente do comité de arbitragem da FIFA. Agora, desvirtuar as leis do jogo por entender que a recarga é injusta para o guarda redes, ou afirmar: “Isto ia eliminar o espetáculo que vemos antes de cada penalti, em que todos se amontoam à volta da área e parecem cavalos antes da partida para uma corrida”.

Quer mesmo alterar algo em benefício do jogo, tendo em vista a melhoria do mesmo e até, em benefício da saúde dos atletas? Aceita sugestões?

Há estudos que concluem que os jogadores, devido aos cabeceamentos, estão mais expostos a casos de demência. Se em vez dos penaltis quisesse propor algo com influência direta na saúde destes, não seria melhor? Em vez dos penaltis, analise os pontapés de canto. Já viu a quantidade de “avestruzes” (para concorrer com os seus cavalos de corrida!) que se digladiam por um metro quadrado na pequena área? Empurrões, puxões, quais judocas, tudo serve e é válido para saltar mais alto e assim poderem cabecear, às vezes até, uns nos outros. Não seria melhor estudar e propor algo que acabasse com isto e com a ausência de critérios objetivos sobre o que deve (ou não) ser considerado falta. No campeonato mais elogiado por todos, eu incluído - a Premier League - é um fartar vilanagem ao serem validados golos, contra tudo aquilo que dizem as leis de jogo.

Também era “lei” no futebol, que o único motivo pelo qual um jogo poderia ser prolongado além do tempo limite, era para a marcação de um penalti, aí sim, sem hipótese de recarga. O que vemos atualmente? Há os tempos de desconto (totalmente de acordo) mas depois, mesmo quando nada o justifica, vemos os árbitros a prolongarem os jogos até que a equipa que está a atacar termine esse ataque. Pior, se o ataque origina uma falta perigosa ou um canto, estes ainda se marcam. Porquê? Qual a lei que valida este prolongar do tempo de desconto?

Os guarda redes que tanto quer defender nos penaltis, são protegidos noutra situação da qual usam e abusam. Refiro-me à simulação de lesões para cortar ritmo aos adversários, fazer descansar a sua equipa e/ou para o treinador beneficiar de “tempo técnico” - que no futebol não existe. Eles sabem que não podem ser mandados sair do campo. Porque não, cada vez que há uma situação destas, ser obrigado a sair de campo um colega de equipa?

Caro presidente do comité da arbitragem da FIFA, acredite, esta sua aversão às recargas nos penaltis é demasiado redutora na procura da melhoria do futebol. Alguém com o seu poder e carisma, deve pensar em grande, pelo que, as decisões que (sugerir ou) tomar devem ter como consequência um impacto imediato na melhoria das arbitragens e, consequentemente, da modalidade.

Carlos Mangas

Carlos Mangas

21 fevereiro 2025