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Conversações sobre a paz na Ucrânia: Trump e Putin

Nestes últimos dias, grande alvoroço provocou, nos meios europeus, a decisão de Trump e de Putin: realizarem um encontro entre si, a fim de entabularem negociações sobre a paz na Ucrânia.

Penso que, pelo menos da parte americana, não houve a negação da presença de uma representação do país invadido para fornecer informações, embora, tanto quanto parece, a paz seja apenas consequência do que os dois chefes de estado decidirem.

Esta reunião não deixou de causar estranheza e até desconfiança nos diversos países europeus. Parece que os USA e a Rússia, pela sua importância, não necessitariam da contribuição dos representantes do velho continente para chegar a um acordo ou a uma decisão. 

Lembremos que uma boa parte dos estados europeus pertencente à NATO viu ampliado o número de aderentes com a queda do regime da União Soviética, pois, praticamente todos os que eram pertença da sua esfera comunista e por ela amparados, se uniram a esta organização, não só para garantirem a sua independência e a sua defesa, mas também para assim demonstrarem que queriam ser países com uma orientação e vivência política completamente diferentes dos regimes ditatoriais que lhes impunha o sistema comunista. . Neste momento, à NATO pertencem 32 países, de maioria esmagadora europeia. Da América do Norte: Estados Unidos e Canadá.

Não nos surpreende a presença de Putin nestas negociações, porque o principal responsável pela guerra que se trava na Ucrânia foi ele: começou-a, talvez com a ilusão de que rapidamente resolveria a “Operação militar especial” (assim chamou à invasão das tropas russas na Ucrânia em Fevereiro de 2022). Mas tal não sucedeu. O país assolado não se entregou. Pelo contrário, respondeu com heroísmo às tropas russas, agora auxiliadas por soldados duma ditadura compacta e fechada, que é a Coreia do Norte, mostrando assim que os invasores não conseguiram resolver o problema sozinhos, porque tiveram de recorrer ao concurso de militares estrangeiros.

Quanto a Trump, esperemos sinceramente que nesta iniciativa seja bem sucedido e consiga sair das negociações com a conquista da paz. Consegui-lo-á? E o que for decidido terá em conta o sofrimento e a humilhação a que foi submetida a terra invadida? De notar que os USA não entraram de forma directa no conflito, embora ajudassem generosamente a Ucrânia na sua luta com fornecimento de material militar e apoio claro de carácter político, aliás manifestado também nestes modos por vários países europeus.

O novo Presidente dos Estados Unidos entrou há pouco em funções. No seu programa parece querer resolver os problemas que enfrenta com rapidez e sucesso. Vejamos se assim o logrará para pôr fim a esta guerra, que já custou a vida a muita gente inocente, a várias centenas de milhares de soldados, causou a destruição de muitos edifícios e desalojou muitos pacíficos cidadãos das suas casas, destruídas pelas armas agressoras. A paz é a única solução...

P. Rui Rosas da Silva

P. Rui Rosas da Silva

18 fevereiro 2025