1. A Igreja celebra no próximo dia 11, memória litúrgica de Nossa Senhora de Lourdes, o XXXIII Dia Mundial do Doente, instituído por João Paulo II em 13 de maio de 1992.
Para este ano o tema proposto pelo Papa Francisco está relacionado com o do Jubileu que estamos a viver: «A esperança não engana» (Romanos 5, 5) e fortalece-nos nas tribulações».
2. É evidente que a preocupação da Igreja com as pessoas que sofrem não data de há três dezenas de anos. De forma alguma. Um discípulo de Jesus não pode deixar de se preocupar com as pessoas que sofrem. O cuidado com os doentes esteve no centro das suas preocupações durante os três anos de vida pública. Um dos sinais por que se reconheceriam os seus discípulos, quando os enviou em missão, seria precisamente esse: «impor as mãos nos doentes e eles ficarão curados» (Marcos 16, 17).
3. Um dos sete sacramentos da Igreja, – umas vezes esquecido, com receio de assustar o doente; outras nem sempre devidamente celebrado (a presença de fotógrafo converte a celebração em espetáculo e viola a privacidade da pessoa), – é o a que, a partir do Concílio Ecuménico do Vaticano II, se chama Unção dos Doentes, de preferência a Extrema Unção (Sacrosanctum Concilium, 73).
Insinuado em S. Marcos (6, 13;16,17-18) é aclarado por S. Tiago (5, 14-15). Tem por finalidade o alívio e salvação dos fiéis em perigo de vida, por motivo de doença, acidente, idade avançada ou iminência de intervenção cirúrgica de risco.
Referem-se-lhe o Código de Direito Canónico (529, 530, 998-1007) e o Catecismo da Igreja Católica (1499-1532). Para Pastoral dos Doentes existe o Ritual Romano intitulado «Unção e Pastoral dos Doentes».
4. A Igreja não abandona os doentes, inclusive os que se encontram em fase terminal. Há a Eucaristia sob a forma de Viático e uma especial bênção e indulgência plenária para a hora da morte.
Quando, clinicamente, nada há a fazer, existe ainda um olhar, um gesto de carinho, um pôr a mão na mão, uma prece…
A referida mensagem do Papa Francisco mostra como é importante a virtude da esperança na vivência do sofrimento. Só a esperança cristã lhe dá sentido.
5. O sofrimento, físico e ou moral, faz parte da condição humana. Não é necessário convidá-lo, que toma a iniciativa de aparecer.
Exige-se de cada um de nós que saiba sofrer, não seja causa de sofrimento para os outros, ajude quem sofre.
*Saber sofrer. Com fé e com esperança. Aceitando e agradecendo a ajuda dos profissionais de saúde e de outras pessoas. Não exigindo o impossível. A revolta e a resmunguice nada resolvem. Só complicam. Angustiam quem, de mãos atadas, assiste ao doente.
*Saber ajudar quem sofre. Encorajando. Rezando. Disponibilizando os meios ao seu alcance. Não se sobrepondo às recomendações de profissionais credenciados. Nada mais prejudicial do que a existência de habilidosos que, acredito que por bem, teimam em dar ordens e em querer receitar.
*Quem tem possibilidades de visitar um doente que o faça. É uma grande obra de misericórdia, se feita com bons modos. Que contribua para aliviar e não parar agravar o sofrimento. Tendo a consciência de que, na visita a um enfermo, é preciso saber ir, saber estar, saber vir embora. Há quem não vá por comodismo. Quem, tendo ido, entretém o tempo com conversas inconvenientes. Quem se esqueça de dar por terminado o tempo da visita.
*Não ser causa de sofrimento para os outros. Nada de imitar os falsos amigos do personagem bíblico Job. Há visitas que o doente e a família agradecem não apareçam.
6. Que se reconheça às pessoas o direito de poderem estar doentes.
Que se não falte aos doentes, a todos os doentes, com a necessária assistência.
Que o doente procure ser um bom doente.