A aprovação, em dezembro último, da proposta política que incluiu no Orçamento de Estado para 2025 uma melhoria do Plano Nacional de Prevenção contra o Suicídio representa, espera-se, um passo importante no combate a uma das principais causas de morte em Portugal e no mundo. Esta medida vem no seguimento da crescente preocupação com o impacto do suicídio em Portugal, que, apesar de uma diminuição gradual nos últimos anos, continua a representar uma das principais causas de morte no país, especialmente entre jovens e adultos em idade ativa. A proposta visa não só aumentar o apoio a pessoas em risco de suicídio, mas também fortalecer as iniciativas de sensibilização e prevenção em várias áreas da sociedade.
O Plano Nacional de Prevenção contra o Suicídio constitui uma estratégia multifacetada que envolve a colaboração de diversas entidades, incluindo o Serviço Nacional de Saúde, associações de saúde mental, escolas e empresas. Uma das principais áreas de intervenção é a formação de profissionais de saúde e educadores, garantindo que estes estejam melhor preparados para identificar sinais de alerta em indivíduos em risco e atuar de forma eficaz.
A promoção do bem-estar mental e o controlo dos fatores de risco associados ao suicídio, como depressão, transtorno bipolar, ansiedade e abuso de substâncias, entre outras patologias do foro mental, são outros dos aspetos nos quais se foca esta abordagem. A relação entre o suicídio e a doença mental está bem estabelecida, com estudos a indicar que até 90% das pessoas que cometem suicídio sofrem de algum tipo de transtorno mental no momento da morte.
Este Plano também pretende ampliar a rede de apoio psicológico e social, com foco no acesso rápido a tratamento especializado para quem está em situações de vulnerabilidade. Visa ainda implementar políticas mais eficazes para a monitorização e recolha de dados sobre suicídios e tentativas de suicídio, de forma a melhorar a resposta do sistema de saúde e a adaptação das estratégias de prevenção.
Outra área importante da proposta é a melhoria do apoio às famílias que sofrem a perda de um ente querido por suicídio. Muitas vezes, estas famílias enfrentam uma sobrecarga emocional significativa e, por isso, precisam de suporte psicológico adequado para lidar com o luto e os desafios que surgem após a perda.
Mas a prevenção do suicídio vai além do apoio individual e da vertente familiar, englobando também campanhas de sensibilização pública. Estas campanhas têm como objetivo reduzir a carga negativa em torno da saúde mental e do suicídio, incentivando as pessoas a procurar ajuda sem receio de julgamento – o estigma sobre os transtornos mentais e a falta de literacia emocional continuam a ser barreiras significativas para a procura de ajuda.
A proposta de melhoria do Plano Nacional de Prevenção contra o Suicídio insere-se numa abordagem holística e de longo prazo para combater um problema de saúde pública que afeta uma larga faixa da população em Portugal. Só uma intervenção multidisciplinar e concertada pode trazer resultados duradouros, fazendo diminuir os números do flagelo que é o suicídio e melhorando a saúde mental dos portugueses.