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Abordagens da fisioterapia em situações de emergência e catástrofe

Os desastres naturais, como terramotos, inundações ou incêndios florestais, deixam não só um rasto de destruição física, mas também profundas marcas psicológicas nos sobreviventes. 

Se por um lado a intervenção da Fisioterapia nestes contextos parece mais ou menos óbvia, o mesmo poderá ser questionado pelos mais incautos quando enfatizamos a relevância do papel do fisioterapeuta em cenários de catástrofe. Pois de facto são já vários os países europeus que incluem nas equipas de urgência/emergência, fisioterapeutas devidamente preparados para auxiliarem os restantes elementos da equipa assim como as vítimas destas situações.

A intervenção do fisioterapeuta decorre no teatro de operações em resposta às necessidades de saúde da população afetada, sendo que algumas das suas funções principais incluem: cuidados respiratórios em emergências, especialmente em desastres onde há risco de inalação de gases tóxicos, poeira ou contaminação ambiental. Os fisioterapeutas podem ajudar a prevenir complicações respiratórias e a melhorar a ventilação em pacientes que sofrem de dificuldades respiratórias, por outro lado muitos sobreviventes de desastres podem sofrer lesões, como fraturas, entorses ou ferimentos musculoesqueléticos. A fisioterapia pode ser essencial para ajudar a gerir a dor, restaurar a função e acelerar a recuperação física dos pacientes. Crianças, idosos e pessoas com deficiências físicas são especialmente vulneráveis durante emergências sendo que toda a ajuda a manter ou melhorar a mobilidade e independência destas populações em abrigos ou hospitais de campanha é bem-vinda.

O stress pós-traumático é uma consequência frequente destas calamidades, afetando significativamente a qualidade de vida das vítimas. Neste contexto, uma das principais abordagens da fisioterapia é o tratamento das manifestações físicas do stress pós-traumático, na reabilitação física dos sobreviventes que sofreram lesões durante o desastre. A recuperação física pode ter um impacto significativo na saúde mental, ajudando a restaurar a independência e a confiança. Os fisioterapeutas trabalham em estreita colaboração com equipas multidisciplinares para garantir que a reabilitação física está alinhada com o tratamento psicológico.

Uma abordagem inovadora que tem ganho destaque é a utilização de exercícios baseados em trauma, estes são atividades ou intervenções terapêuticas desenhadas para ajudar indivíduos que passaram por experiências traumáticas a processarem e a recuperarem-se dessas experiências. Estes exercícios são frequentemente utilizados em contextos de terapia psicológica, fisioterapia, e outras abordagens de saúde, visando o corpo e a mente.


 


 


 

Igualmente a terapia aquática tem-se revelado particularmente eficaz para sobreviventes de desastres naturais. A água proporciona um ambiente seguro e de suporte, ideal para pacientes que possam sentir-se vulneráveis ou ansiosos. As propriedades físicas da água, como a flutuabilidade e a resistência, oferecem oportunidades únicas para exercícios que podem ser demasiado desafiantes em terra.

Os fisioterapeutas também estão a incorporar técnicas de realidade virtual no tratamento do stress pós-traumático. Esta tecnologia pode ser utilizada para criar ambientes controlados onde os pacientes podem enfrentar gradualmente situações que lembram o trauma, sempre num contexto seguro e terapêutico.

Em todas as abordagens a educação do paciente está sempre presente, ajudando os sobreviventes a compreender como o stress afeta o seu corpo e fornecendo-lhes ferramentas para gerir os seus sintomas de forma autónoma.

Andrea Ribeiro

Andrea Ribeiro

11 outubro 2024