Sujeito que estou a terceiros para deslocações auto (maiores ou menores), na “rifa” deste ano coube-me/nos aproveitar o tempo escampado para lugar à beira-mar, não longe da Braga escaldante. Motivos houve para, mais uma vez, optarmos por Ofir. Tão conhecida é esta estância balnear, que não vale a pena descrevê-la. Em vez de tal, vou “pintar quadros vivos” com traços firmes de autor.
E passo a contar, avulsas, algumas situações por que passei. Para descer ou subir aquelas escadas com corrimão junto à torneira de “desareiar” os pés, por mais de uma vez me foi perguntado se queria ou precisava de ajuda, isto naturalmente para além da dos meus familiares. A bondade e a delicadeza prontas a dar mão.
Dentro da linha destas linhas faço agora a agulha para outra rota. Com uma prévia nótula. Na minha adolescência e juventude fui escuteiro do C.N.E. sucessivamente explorador, caminheiro e chefe (nesse tempo não existia a categoria de pioneiros). É com satisfação que me revejo nos dois netos, um e uma, irmãos. De tal modo que tenho uma t-shirt de pioneiro e outra de caminheiro do agrupamento de Santo Adrião, cá de Braga. Tive gosto em as levar para a praia. Na parte da frente, em jeito de emblema têm uma “flor-de-lis” circundada por uma corda com o “nó direito”. Nas costas, a inscrição: “AGRUPAMENTO 1297, SANTO ADRIÃO – BRAGA”.
Isto para contar aqui dois breves episódios em Ofir sucedidos. O primeiro ocorrido naquele largo das esplanadas. Uma figura feminina, ao cruzar-se comigo, exclamou em tom espontâneo: “olha, escuteiros, ao que acrescentou, fazendo a saudação escutista com a mão direita, ‘águia”. Eu apenas disse: “águia também”.
No mesmo dia, ao saborearmos o jantar na sala-restaurante do hotel virada ao sol poente, chegou-me aos ouvidos esta curta frase de alguém que teria acabado de reparar nos dizeres da minha t-shirt: “Quando fui escuteiro soube que havia um Campo-Escola do C.N.E. em Braga”.
Não resisto a terminar estas linhas sem contar uma anedota que qualquer escuteiro aceitará com bonomia. Certo chefe terá um dia perguntado ao Luizinho: já fizeste hoje a tua boa acção? O jovem respondeu: já sim, chefe; ajudei uma velhinha a atravessar a rua. Inquirido com a mesma pergunta, o Zezinho respondeu: eu também, ajudei o Luizinho a ajudar a velhinha. Chegada a vez do Quinzinho, este deu a mesma resposta do Zezinho. Admirado, o chefe exclamou: E foram precisos os três?! Em uníssono, eles exclamaram: É que ela não queria atravessar a rua!!
Nota final. O título deste texto foi-me inspirado por “Deus não vai de férias”, in capa da revista O MENSAGEIRO, no seu número de Agosto Setembro.