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Ponto por ponto

 


 

1- Dizia-me há dias o meu bom amigo Ricardo de Paderne, ex-deputado socialista e reconhecida voz discordante da ideologia extremista que eiva o seu partido e também voz da consciência ideológica de uma esquerda moderada, manifestada com veemência e clareza nos congressos coreanos do partido, que o amigo político Álvaro Beleza era contra o aumento de impostos às grandes fortunas e, de um modo geral, não estava de acordo com a elevada carga fiscal que o seu antigo e fugitivo líder impôs ao país. Durante oito anos e meio de governo neo-socialista, não recordo de o ouvir, como presidente da SEDES, a contestar o confisco que os portugueses – mais a classe média – estiveram sujeitos e que a aguentaram com muito azedume. Também não se manifestou contra as cativações de Centeno que secaram os serviços públicos e congelaram ao mesmo tempo o investimento que atrasou a modernização do país. Falar agora do outro lado da barricada é muito fácil e cai bem no goto do seu novo líder que anda muito enfastiado na oposição. Aliás, a oposição é o lugar onde ele está bem e que, lá, esteja por muito tempo.

 

2 - Luís Montenegro resolveu acabar com a coutada neo-socialista: a coutada dos pensionistas. Como as reformas são extremamente baixas – 92% recebem menos de 1500 euros – o dr. Costa apanhava-os de ginjeira, caçando-lhes facilmente os votos. O isco dos 10 euritos ou de outro valor semelhante era o suficiente para lhes encher a carteira e fazê-los sorrir. E assim, durante oito anos e meio de governação, esta estratégia resultou em pleno. Recebiam os pensionistas umas migalhas e ficavam contentes. O povo bem diz: “migalhas é pão”. Por isso, não é preciso ser muito habilidoso para enganar quem tão pouco tem ou recebe. 

Montenegro, como não anda a dormir na forma, usou e vai usar a mesma estratégia para conseguir arrecadar dividendos eleitorais futuros. Disso não tenho dúvidas. O que era, antes, uma grande medida e um caso de justiça social, de solidariedade e de respeito pelos mais velhos, agora, com a AD no poder, é uma medida completamente pecaminosa, demagógica e eleitoralista que só serve para enganar os pobres desgraçados dos reformados.


 

3 - Os meus parabéns à Câmara Municipal de Vila Verde. Não sei se de carácter transitório ou definitivo, a edilidade vilaverdense avançou com uma medida, que eu acho, correcta e justa ao garantir aos novos proprietários a isenção do IMI por cinco anos. Este imposto sobre as nossas casas, onde já pagamos impostos na aquisição do terreno e na construção da moradia, é, no meu ponto de vista, absurdo e injusto. Antigamente, há uns anos somente, a isenção prolongava-se por 10 anos. Quem tem a sua casa e a quer manter em boas condições de habitabilidade e de conservação, sabe perfeitamente quanto custa a sua manutenção anual. É preciso muito dinheiro! Sem dúvida! Este facto deveria incomodar os políticos. A nossa casa, para a ter, exige um grande esforço e tem que merecer muito respeito e sensatez aos legisladores tributários.


 

4 - As Câmaras Municipais habituaram-se a “mamar” milhões e milhões de euros do IMI das casas das pessoas. E, porque esse dinheiro lhes chega às mãos sem custo e de mão beijada, gastam-no e esbanjam-no com toda a facilidade do mundo. Sabem que, no ano seguinte, a fonte úbere do IMI enviará mais milhões e milhões para gastaram e esbanjaram de qualquer maneira e feitio. 

Se os Presidentes de Câmara tivessem um pouco mais de respeito pelo dinheiro dos outros, não faziam os disparates que fazem, nem praticavam a distribuição gratuita e muito menos se metiam nos corredores coloridos das “festas e festinhas” para gáudio e vaidade de uma imagem virtual de vivacidade que assenta em pés de barro. Mesmo assim, com tanto IMI, as dívidas nas edilidades galopam. Incrível, não é?!

Só para os acordar: o que fica na História de uma cidade é o que se constrói (a mente e o edificado) e nunca o que se goza ou o que se gasta na borga. Estes doze anos de Rio ficarão inscritos na História bimilenar desta romana cidade com uma simples nota de rodapé. 

Armindo Oliveira

Armindo Oliveira

1 setembro 2024