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Isabel Maria Ferreira Nunes de Matos, Mulher de Sá Carneiro

Francisco Manuel Lumbrales de Sá Carneiro (Porto, 19/7/34-4/12/80, Camarate), foi um brilhante estudante portuense da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, 1º Ministro de Portugal desde 3/1/80. Filho do prestigiado advogado José Gualberto Chaves Marques de Sá Carneiro (Barcelos, 1897/1978, Porto) e de Maria Francisca Judite Pinto da Costa Leite (Salamanca, 1908/1989, Porto), Condessa de Lumbrales, Filha do 2º Conde de Lumbrales, benemérita também da Obra de Nossa Senhora das Candeias. João Pinto da Costa Leite era Tio de Francisco, Professor Cat. em Direito na Universidade de Coimbra, Ministro de Salazar. Representa como que um Sebastianismo republicano, voltando à memória dos nossos corações sempre que os Portugueses sentem a falta de um pátrio orientador que nunca mais regressa. Mas a esperança histórica permanece como entre aqueles de Samuel Beckett que aguardam o retorno de Godot. Mas este texto é sobretudo sobre sua Mulher, de resto a única no catolicismo, o que, na fé cristã, sem dissolução canónica, é para sempre. Seguindo Maria João Avillez, entre Outros, Francisco casa-se com Isabel Maria Ferreira Nunes de Matos (1936), em 13 de Maio de 1957 no Porto. Deste matrimónio nascem 5 filhos: Francisco (1958), Isabel Maria (1959, também na foto), Maria Teresa (1961), José (1963) e Pedro (1964). Em 12/1954, estava Sá Carneiro no 3º ano da Faculdade, tinha havido grande festa na casa da Picaria no Porto. Aqui seria depois o casamento dadas as excelentes condições com lago e jardim bem no centro da cidade. Embora fosse o seu irmão Ricardo quem atraia mais o olhar de todas as jovens senhoras, Francisco, pequeno em estatura, mas imenso em presença espiritual e de apurado faro intelectual, mas também nos talentos da dança, acaba por capitalizar a atenção total de Isabel Maria de Matos. Isabel é avessa aos estudos, mas depois profundamente preocupada com a educação dos 5 filhos – característica comum noutros tempos e que tão bons frutos dá – e Francisco não se importa com isso. Estudioso profundo da Doutrina Católica e Social, Francisco empenha-se em dar imensos livros doutrinais à sua esposa. Aliás ambos membros activos das Equipas de Casais Católicos de preparação para o Matrimónio. Quando namorados, Francisco escrevia-lhe cartas todos os dias, mesmo no intervalo das aulas, e ficava amuado quando não recebia resposta. Logo telefonava. O 1º filho nasce na maternidade da Lapa. Isabel Maria de Matos apercebe-se ao longo do casamento que Francisco é muito exigente e teimoso, uma espécie de dominador elegante, não admitia ser contrariado. Pelo que o ideal era contornar. Sem prejuízo de dois fortes caracteres e feitios que por vezes se chocavam, mas sempre com soluções educadas. Em finais de Abril de 1973, é Sábado e reina a excitação em casa de Sá Carneiro. Pela 1ª vez quer ir jantar fora e depois ir ao cinema com a mulher e os filhos. Fica combinado: vai ser no Escondidinho e depois um Western. Isabel Maria recebe um telefonema à tarde do irmão também advogado Ricardo: “fomos ver um terreno ao Gerês com a minha mulher e filhos e tivemos um despiste de carro, estamos na Casa de Saúde da Boavista”! Francisco ainda vai ao hospital de Famalicão, mas o médico dá-lhe um valium e deixa-o ir embora. Ao chegar ao Porto, está sem pulsações, tinha a bacia partida, hemorragia interna, traumatismo renal e o baço quase em ruptura: é operado de urgência e tiram-lhe. Está calmo, “mas consciente de que vai morrer”. Tinham chamado o amigo Frei Mateus e pede-lhe a Extrema Unção. Quando começa a oração, a emoção enche o quarto e Isabel Maria chora compulsivamente. Francisco pede: “aqui não, preciso de ti”. A recuperação vai ser lenta e dolorosa. Em finais de 1972, Francisco tornara-se noutro homem. Seu irmão João morrera com uma úlcera no estômago. Morte lenta e trágica que acompanhara sem dormir no quarto do hospital. Francisco era outro homem, revoltado com o destino. Como que correndo contra o tempo numa desdita incompreensível. Francisco assume mais tarde em público uma relação com outra mulher, Snu. Em 1980, pouco antes de morrerem em atentado, compra o quadro do pintor D’Assumpção, “DESTINO”. Isabel Maria Ferreira Nunes de Matos, que esteve quase a morrer há pouco tempo, mas que agora Graças a Deus está bem, nunca abandonou o nosso Sá Carneiro do ponto de vista religioso e espiritual. Não há palavras para tamanha Alma. ObrigadoS SANTUGA-Associação São Tomé e Príncipe-Portugal.

Gonçalo S. de Mello Bandeira

Gonçalo S. de Mello Bandeira

26 julho 2024