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Platão e a teoria das ideias (1)

Platão (428/ 427a C-347) teve educação esmerada, própria de uma criança de alta estirpe. Aprendeu primeiro a honrar os deuses e a observar os ritos da religião, sem misticismos nem superstições. Guardou sempre um respeito pela religião e impô-lo nas suas Leis, com um profundo sentido de justiça . Além da ginástica e música , estudou desenho e pintura. Foi iniciado na filosofia de Heráctilo e Cratilo, e mostrou sempre grandes dotes para a poesia e dialética. Compôs tragédias, poemas líricos e ditirambos.

Aos 20 anos encontrou o filósofo Sócrates. Dizem que, se na carreira política, depois de um currículo rico e variegado de viagens entre Atenas e Sicília, etc, escolas e academias. Entre os seus discípulos, os mais ilustres, Aristóteles e Xenócrates, deixaram a escola.

Morreu em 347/ 346 aC como dizem, no meio de uma boda. Nos diálogos , em que expõe as suas ideias sobre o platonismo, há muitas influências no mundo moderno: na estética,moral, justiça, por vezes, hoje, interpretada em sentido inverso, oportunista, egoísta ou em travesti. Segundo ele, o diálogo tem duas formas. Diz-nos que Diógenes Laércio: “é diegético, forma de exposição ou zetético (sob forma de investigação). Aquele, por sua vez, pode ainda subdividir-se em gímnico (de exercicio), agonístico (de combate); o género gímnico subdivide-se em maiêutico (que dá a luz aos espíritos) e em peirastico (que experimenta, sonda, indaga) além de outras espécies: enditico (demonstrativo) e anatréptico (refutativo). Nas suas primeiras obras através de diálogos socráticos, como discípulo fiel do seu mestre, dedica-se como ele a definir as suas ideias morais. Procura expressar a coragem, sabedoria, a amizade, a piedade, a virtude, a justiça.

Sócrates professava que basta conhecer o bem para praticá-lo, que a virtude é ciência e o vício ignorância . Platão permaneceu sempre fiel a esta doutrina. Como Sócrates honrara os deuses e afirmara que a virtude consiste em assemelhar-se a eles, tanto quanto a fraqueza humana o permitir. Mas o bem é o fim supremo de toda a existência e que é no bem que se deve procurar a explicação do universo.

Ao contrário de muitos filósofos modernos , a psicologia de Platão é marcada por um caráter profundamente espiritualista .

A alma é eterna. Antes de estar unida ao corpo, ela contemplava as ideias e, graças à reminiscência, pode reconhecê-las quando desceu e ficou enclausurada no corpo. Pela sua coabitação com a matéria, perdeu a pureza, pelo que se distinguem três partes diferentes: uma parte superior, da razão, a faculdade contemplativa para governar e manter harmonia entre ela e as partes inferiores. Estas partes são a coragem, faculdade nobre e generosa que compreende ao mesmo tempo os desejos elevados da nossa natureza é a vontade; e o instinto, ou desejo que impele o homem para os objetivos sensíveis e os desejos grosseiros. O ponto fraco desta teoria é a pouca importância que atribui à vontade livre. (cf. Fedro, onde mostra a alma escalando o céu atrás dos deuses e representa -a como um cocheiro indócil e renitente). Como Sócrates diz que o conhecimento do Bem provoca necessariamente a adesão da vontade, o que é contrário à experiência. Fala mesmo das purificações a que a alma é submetida antes de voltar à terra e de entrar num corpo novo; no entanto, o pormenor das descrições varia dum mito para outro.

A política platónica é moldada pela sua psicologia, uma vez que os costumes de um Estado são forçosamente moldados pelos dos indivíduos. A base fundamental do Estado é a justiça. Um Estado não pode durar sem ela… Que bela reflexão para os nossos tempos!...

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Rosas de Assis

24 julho 2024