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Jerusalém – 0 cerne da questão

Para se entender um pouco dos conflitos e guerras entre o povo judeu e grande parte do povo islâmico deveríamos conhecer também, pouco que seja, a doutrina Cristã. Sim, porque apenas um positivista, agnóstico ou ateu, que deliberadamente nada conhece dos Evangelhos nem lhe foi dado a conhecer a doutrina Cristã, poderia ter feito a afirmação, difundida em finais de 2023, através de uma das televisões portuguesas, de que “Israel não tem razão de existir” e que os judeus deveriam ficar confinados na região da Baviera, Alemanha. Sabemos que o cerne da questão entre judeus e os palestinianos ou islâmicos reside, essencialmente, na posse e partilha da cidade de Jerusalém que é uma das cidades mais antigas do mundo. Não se sabe quando a cidade foi criada, acreditando-se, face ao Antigo Testamento e à História, que é habitada por cerca de 3.000 a.C.. A história de Jerusalém interliga-se, acima de tudo, com Abraão, Isac, Jacob, Moisés, David e Salomão. Muitas vezes foi tomada, destruída e reconquistada e, ao longo dos séculos, pertenceu a hebreus, persas, muçulmanos e a romanos, no tempo de Jesus Cristo. Foi conquistada pelo rei David, passando e ser dominada pelos hebreus ou judeus em 1.000 a.C.. Durante o reinado de David e Salomão foi construído o Grande Templo de Jerusalém. O rei David fez de Jerusalém a capital do Reino Unido de Israel, sob a liderança da casa de David e mais tarde de Salomão.

O antigo Reino Unido de Israel confinava-se, fundamentalmente, às terras e povos da Judeia e da Galileia, citados várias vezes no Novo Testamento. O povo judeu, ao longo dos séculos, é um povo sofrido, sujeito a guerras, nomeadamente a imposta pelos romanos, ao tempo do Império Romano, deportações, massacres e ao holocausto, na Segunda Guerra Mundial, este às mãos dos nazis. As Nações Unidas (ONU), sob a égide da Grã-Bretanha, muito baseado na geopolítica e em normas e leis secularistas e positivistas, em 29/11/1947, impuseram o Plano de Partilha da designada Palestina. Então muitos judeus regressaram à sua pátria de Israel mas a ONU, principalmente por interesses económicos ou do petróleo, nunca soube entender nem lidar bem com o plano de partilha que impuseram, quer ao povo judeu quer ao povo palestiniano ou islâmico. Consequentemente, a grande verdade resultante de todo esse processo de partilha, é que o povo israelita, ou Israel, se não lhe provocarem agressões, ataques ou guerras aceita e quer conviver com todos os povos e com todos os Estados soberanos do mundo islâmico. Os palestinianos ou islâmicos, bem como a quase totalidade dos Estados muçulmanos, não aceitam e lutam pela destruição do Estado de Israel.

O patriarca Bíblico Abraão é considerado o pai das três grandes religiões mundiais, Judaísmo, Cristianismo e Islamismo. Porém, o Judaísmo e o Cristianismo são as duas religiões, unicamente, monoteístas mais antigas do mundo. Para estas duas religiões Jerusalém é a cidade berço e muito importante. Foi nesta cidade e seus arredores que Jesus Cristo foi condenado à morte na Cruz e Ressuscitou ao terceiro dia para a Vida eterna. Alguns países islâmicos ou muçulmanos, como o Egito, praticavam o politeísmo. Apenas a partir do profeta Maomé, 571 d.C. (século VI), líder religioso, político e militar, a religião islâmica adotou plenamente o monoteísmo. O primeiro lugar Sagrado para o islamismo é Meca, cidade onde nasceu Maomé, depois Medina e, em último, adotaram também Jerusalém. Israel, com a cidade de Jerusalém, é a terra prometida por Deus, por intermédio dos antigos patriarcas e profetas, berço do Judaísmo e Cristianismo. Cristianismo que tem em Jesus Cristo, de origem Judeia, o seu fundamento e que marca, pela Sua absoluta Divindade, uma nova era da Humanidade.

 A ONU, desde o designado Plano de Partilha da Palestina, observa e age, maioritariamente, face às questões de paz e outras, apenas pelo prisma secularista. Auxiliam, bem como a Europa, o povo islâmico com avultados bens materiais que, em grande parte não chega às populações carenciadas. Parte significativa desses bens é desviado para adquirir e criar meios bélicos e infraestruturas, como túneis, para os seus líderes combaterem e destruírem o infiel, ou seja o Estado de Israel. 

Estando nós no período do Tempo Pascal, Jesus Cristo, Deus Humanado, que via e vê mais além, naquele tempo, quando chegou perto de Jerusalém, ao ver a cidade, Jesus chorou sobre ela, dizendo: “Se ao menos neste dia que te é dado, tu também conhecesses o que te pode trazer a paz!..”. Dizemos nós, sim, a Verdadeira Paz que julgamos só assim ser possível. Neste drama, não estando Israel ainda sensibilizado para escutar e aceitar o Deus Humanado Verdadeiro, nem os líderes islâmicos deixarem de considerar infiéis ou inimigos quem não é islâmico ou muçulmano, deparamo-nos com uma guerra, onde milhares de seres Humanos sofrem e são martirizados, onde não há paz e onde Jesus Cristo chorou e continua a CHORAR.

Abel de Freitas Amorim

Abel de Freitas Amorim

27 março 2024