Os golfinhos não estão sós no cativeiro. Tenho muita pena das “macaquices” que fazem para gáudio de uns tantos que se não lembram que estes animais estão enclausurados nuns tanques em vez de estarem nas larguezas dos oceanos que são os seus espaços naturais. E aparecem agora alguns paladinos reprovando esta “domesticação”. Eu estou com eles, mas estou igualmente a favor de soltarem os animais em cativeiro dos jardins zoológicos. Os elefantes devem ter saudades das grandes florestas onde reina a sua corpulência; os leões, reis sem trono nesses jardins, urram com saudades dos seus verdadeiros domínios selvagens. E assim os ursos bisonhos, as zebras listadas, as elegantes girafas ou os papagaios palradores. Mas dizem os entendidos que é para conservação da espécie em vias de extinção. Que diríamos nós, se uma civilização mais adiantada cognitivamente que a nossa, nos metesse numas jaulas para preservação da espécie do homem sapiens? Andaríamos de lá para cá num vai e vem sem sentido, à espera que nos dessem alguns amendoins? Somos contra o cativeiro de qualquer animal; todos eles nasceram para serem livres: as aves para voar nos céus sem fim, os peixes para perscrutar as profundezas dos mares e os de patas ou pés para calcorrear a seu belo prazer as redondezas dos seus espaços. Portanto, quando se luta pela libertação dos golfinhos, sinceramente é pouco; acho discriminatório e ofensivo para todas as espécies que estão obrigatoriamente presas do egoísmo humano. Assim como sou contra os cães, os gatos, os periquitos, os canários engaiolados, Estes, quando cantam, não sei se é de resignação se é um pedido a dizer, soltem-me que eu não sou propriedade vossa. Eu não digo que se abram os cárceres aqueles que nasceram escravos; já não sabem ser livres. Não prendam mais, deixam as masmorras vazias e não queiram ser carcereiros dos animais que tem tanto direito à liberdade como nós; eles compartilham connosco este planeta. Não sei se o cão doméstico não inveja o lobo selvagem, se o gato não gostaria de ter a liberdade do tigre, se o papagaio não almejaria ter as asas das águias, ou o porco não se sente irmão do javali? As semelhanças são próximas mas entendo que não são evoluções; eles são apenas intercambiáveis, isto é, vão mudando dentro da sua classe e nunca fora dela. Não me considero uma mutação do macaco. Os netos podem não ser fisionomicamente parecidos com o avô, mas não deixam de ser seus netos. Quem retira a liberdade a um animal comete um crime de abuso de poder por muito fofinho que seja ter um lulu no regaço. Olho os golfinhos com o mesmo horror que observo os animais domesticados dos circos, ou os prisioneiros dos jardins zoológicos. Por isso, numa visão ecológica certeira, S. Francisco de Assis lhes chamou “de meus irmãos”. Golfinhos ao mar, certo, mas liberdade para todos.