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A poupança é uma ferramenta individual e um imperativo ecológico

Comemorou-se no passado dia 31 de outubro o Dia Mundial da Poupança. Falar de poupança é falar de um tema polémico, já que poupar, aforrar, é um hábito que implica autodisciplina, vontade e adotar uma perspetiva de melhorar o próprio futuro. Já quem não poupa refugia-se em argumentos como “o dinheiro não me sobra”; “poupar para quê? Com a inflação que está não vale a pena” ou “o que importa é o dia de hoje. Sei lá se amanhã estarei vivo”.

Não. Isto é completamente errado. A poupança resulta de uma decisão individual, consciente, necessária para se garantir um futuro melhor, com mais liberdade, constituindo até, hoje em dia, um imperativo ecológico, na medida em que muitos de nós consomem muito acima das suas necessidades, ajudando a destruir recursos naturais não renováveis e a aumentar a poluição e a degradação do meio ambiente e colocando em causa a satisfação de necessidades futuras.

A primeira questão que a poupança implica é começar a poupar, na medida em que se parte do zero e, quando tal acontece não se vê nada. De facto, se me limitar a colocar de lado 20€ por mês (uma insignificância para a maioria), ao fim do ano traduz-se em 240€, o que é pouco. Contudo, é melhor que nada, na medida em que ao fim de 10 anos já representa 2.400€, o que é mais, muito mais do que cerca de 40% da população portuguesa, que nada poupa, possui.

Dizem os entendidos nas questões da poupança familiar que devemos todos constituir um fundo de emergência, destinado a garantir a subsistência do agregado familiar durante um determinado período de tempo (6 a 12 meses). Logicamente que o montante desse fundo será o somatório das despesas mensais essenciais da família nesse período de tempo (renda/prestação, água, luz, alimentação, etc.). para além desse fundo de emergência, destinado a enfrentar um evento complexo (doença, desemprego, por exemplo), devemos também poupar para concretizar objetivos concretos: a realização de uma viagem, a compra de um móvel ou eletrodoméstico novo ou as despesas com um curso de formação. Para o efeito devemos então ir amealhando mensalmente um valor que permita a realização desse objetivo no prazo previsto.

O valor do rendimento familiar destinado a poupança deveria mesmo constituir a primeira importância a colocar de lado todos os meses, antes de pagar as despesas familiares normais. Qual o valor destinado a poupança? A resposta não é fácil, na medida em que depende muito do valor dos rendimentos e das despesas fixas essenciais mensais. Segundo a regra dos 50-30-20 (50% para as despesas obrigatórias, 30% para despesas indiscriminadas e 20% para poupança), esse valor andará na percentagem dos 20% do rendimento. Contudo, a minha resposta é poupe o máximo que puder, sem que isso o impeça de levar uma vida normal. Mas não seja forreta, nem “unhas de fome”, porque caso contrário, a poupança passará a constituir uma obsessão, o que também não é saudável. No meio…

Um outro aspeto importante, mas intimamente relacionado com o que acabamos de ver é a organização de um orçamento familiar mensal. Quantos se dão ao trabalho de o fazer? Poucos, muito poucos. A sua utilidade? Muita. Caso se dê a esse trabalho ficará certamente espantado com a quantidade de dinheiro que despende em coisas que não pensa sequer (o café e os pequenos almoços fora; gasolina e portagens; refeições fora, tabaco, etc.).

A falta de hábitos de poupança traduz-se numa gestão em cima do arame. “Chapa ganha, chapa gasta?” Pois então está criado o cenário perfeito para quando surgir um pequeno problema, como uma avaria no carro ou a substituição de um eletrodoméstico ou uma pequena obra no prédio, se transforme num grande problema.

Nestes casos, muitas vezes, a resposta mais fácil é o recurso ao crédito. Ora o crédito pode constituir uma solução (de recurso) para a falta de capital próprio, mas comporta sempre a assunção de mais responsabilidades para o futuro e a inerente perda de liberdade individual. O crédito, qualquer crédito, seja qual for o seu valor, é sempre uma pena de prisão com a duração desse mesmo crédito. Claro que sem crédito, muitos de nós não teriam conseguido comprar, casa, carro, entre outros. O crédito tem esse aspeto positivo de permitir antecipar a concretização de um objetivo (ter casa, por exemplo). Contudo, caso recorra ao crédito, peça o mínimo que puder e depois, amortize o máximo que lhe seja possível.

Gerir um orçamento familiar é exatamente o mesmo que gerir uma empresa. Sendo assim, faça da sua empresa um negócio lucrativo e seja um empresário de sucesso.

Fernando Viana

Fernando Viana

4 novembro 2023