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Algumas considerações sobre a atualidade do país

O país atravessa um momento algo complexo, devido a situações que ocorrem há anos, e mais recentemente com as guerras na Ucrânia e agora em Israel, caminhando para situações difíceis de ultrapassar devido à governação aliciante por palavras, populismo inadequado e, acima de tudo, por falta de diálogo interpartidário. Devia pensar-se em primeiro lugar na resolução de problemas que afetam diversas áreas – educação, saúde, justiça, descentralização estruturada e planeada atempadamente e aproveitando os fundos comunitários para aproveitar o desenvolvimento potencial do interior, em abandono progressivo.

A situação vai-se agravando, pois, a classe média caminha para o desaparecimento, com crescimento exponencial da pobreza, devido a não se ter dado solução há vários anos, a projetos que seriam o cerne da criação de riqueza, mas que deviam ser pensados e estruturados com planeamento adequado, criando Comissões com técnicos e políticos com experiência e visão para imprimirem o desenvolvimento económico-financeiro do país.

Portugal tem recursos humanos, com jovens com capacidade criativa e inovadora, mas que abandonam o país, procurando melhor caminho para a sua vida profissional com melhores salários, onde demonstram a sua capacidade de trabalho de adaptação e de cooperação na interligação laboral diversificada ou intervindo na realização de projetos de referência, deixando a sua marca a nível científico e empresarial.

Após a implantação da democracia e de o país passar a ser governado com estabilidade política, com ligações interpartidárias, com governantes competentes, conhecedores de problemas dos seus ministérios, sendo antes gestores com formação e experiência, conhecedores do arco da governação, com Diretores Gerais e Gabinetes eficientes, sem mudanças pós eleitorais ligados ao partido, que deram a Portugal a semente para hoje sermos um país com boas condições de governação, pois temos uma situação geográfica de excelência, e com certeza que hoje a população portuguesa viveria em condições mais favoráveis.

Os serviços vão-se degradando por falta de visão política e interligação partidária, com leis adequadas aos interesses e em escritórios de advocacia e tomam-se decisões governativas ou parlamentares, cuja implementação é demorada. Veja-se o Regulamento da Direção Executiva do SNS, que demorou imenso tempo e atualmente à sua frente está um homem de visão, assertivo, pragmático, que não é político, com um percurso profissional digno de registo, o Dr. Fernando Araújo.

A descentralização devia ser pensada num todo para o país, baseada em Comissões constituídas por técnicos competentes, políticos ligados às regiões e conhecedores das suas potencialidades, para definirem com tempo o melhor caminho e com planeamento adequado e com um cronograma temporal, para a sua concretização.

Isto era possível, pois as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional, foram e são lideradas por pessoas competentes e experientes. Descentralizar pontualmente e sem programação não é solução. Veja-se a situação que atravessam as autarquias, quer sob o ponto de vista orçamental, quer como serem colocadas a aceitarem a pseudo-descentralização, sem coordenação consentânea e cronograma a curto e médio prazo.

A cultura que é ícone civilizacional de regiões e de um país, não é devidamente considerada no orçamento de Estado. Como é possível a gestão dos Paços dos Duques de Bragança passar a ser gerida por Lisboa!

As Pousadas, há anos atrás, foram privatizadas e a maioria delas fecharam, ao passo que a Espanha manteve pública a gestão dos Paradores nas regiões autónomas.

Não vamos abordar outras situações bem conhecidas de privatizações que não se deviam concretizar por motivos de ordem diversa e, mais recentemente, a TAP, que constituirá uma enorme perda para o país a sua privatização, após a injeção de 3200 milhões de euros.

Portugal, considerando o envelhecimento demográfico, a acentuada imigração e a imprevisibilidade do futuro, poderá tornar-se numa região federada da Europa conservadora, perdendo a visão dos grandes impulsionadores da Comunidade Económica Europeia (CEE), Jacque Delors, François Miterrand e Helmut Kohl.

Bernardo Reis

Bernardo Reis

3 novembro 2023