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Cada macaco no seu galho!

“Cada macaco no seu galho” um velho ditado que nunca fez tanto sentido.

Num momento em que se discute a revisão dos estatutos das Ordens, muito se tem escrito e dito sobre este assunto. São várias as manifestações de desagrado, desde a Ordem dos Médicos, Advogados ou outros.

Não me vou imiscuir com outras profissões, mas antes vou falar da minha e o que se passa em concreto com este fenómeno na Fisioterapia.

Ao que parece, a Fisioterapia que tem vindo crescer a olhos vistos, apresentando um corpo de saberes próprio, com investigação que prova a eficácia das suas técnicas, mexe com muita gente para o bem e para o mal. Por esta razão incomoda-me que instâncias governamentais, que deveriam por um lado ser isentas e por outro consequentes nos seus atos não reconheçam os atos próprios dos fisioterapeutas. Com isto quero dizer que a prestação de cuidados de saúde diferenciados fica comprometida, uma vez que não serão apenas pessoas com habilitações e reais competências para o fazer, que irão prestar os cuidados de saúde da responsabilidade dos fisioterapeutas.

Deste modo, pessoas não inscritas na Ordem e por isso sem serem fisioterapeutas, poderão assumir o nosso papel fazendo com isso perigar a condição de saúde dos utentes.

Na realidade desde há longos anos que nos debatemos com esta realidade, havendo um sem número de profissionais, e outros habilidosos que tentam desempenhar as nossas funções.

Importa assim esclarecer que somos uma classe profissional independente, que fazemos 4 anos de curso, pelo menos, e que temos competências próprias e muito específicas. Ao contrário de muitos não pretendemos assumir o papel de quaisquer outros no desempenho da nossa profissão, até porque gostamos muito dela, mas também não queremos que outros ocupem o nosso espaço. Se gostam tanto da nossa área, e todos nós compreendemos porquê, juntem-se a nós, o que não faltam são escolas para aprenderem a nossa arte.

Vivemos num país no mínimo estranho, dependente de grandes forças e que se por um lado valida e credita cursos superiores, por outro permite que outros desempenhem as funções daqueles que tanto estudaram e estudam de modo a reabilitarem da melhor forma possível os seus utentes. Acho que está na hora de dizer basta, e parte mesmo dos utentes essa decisão informada. Todos temos legitimidade para questionar qual a formação de quem se apresenta para nos tratar, e se vamos fazer Fisioterapia ou reabilitação respiratória ou cardíaca ou neurológica, que seja com quem realmente estudou com esse objetivo e não outro, que decidiu depois complementar porque não era feliz com o anterior.

A Fisioterapia quer-se com fisioterapeutas!

Andrea Ribeiro

Andrea Ribeiro

22 junho 2023