Os habitantes da Cividade estão a preparar a recuperação da Irmandade da Nossa Senhora da Torre. Apesar desta existir há cerca de três séculos, a Irmandade perdeu folgor, mas surge agora pela mão de um grupo de jovens que até já deu "nova roupa" à Senhora da Torre.
Nuno Costa faz da costura arte nos tempos livres e decidiu dar uma "nova roupa" à Senhora da Torre, ali mesmo no alto da Cividade e guardiã de uma das portas medievais da cidade de Braga.
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«Gosto da arte da costura e em especial as vestes das imagens religiosas e figurinos das procissões. Desde há uns anos atrás, quando a torre entrou em obras, vi que a Senhora da Torre estava com um roupa um pouco gasta depois de ter sido deslocada para a Igreja de São Paulo. Mais tarde, numa procissão do São João, vi mesmo que estava degradada a roupa que vestia a Senhora quando saiu à rua. O tempo foi passando e aproveitei o confinamento para fazer as vestes», contou a este jornal Nuno Costa, que de profissão é dono de um café/quiosque no Campo das Hortas.
«Tentei manter as cores da roupa que tinha. Um vestido adamascado, pérola dourado, e o manto azul. Tentei respeitar as vestes que trazia. As guarnições são douradas. Nunca tinha vestido uma imagem assim tão grande», disse Nuno Costa, que desta forma deu o primeiro passo daquilo que vai ser a recuperação da Irmandade da Nossa Senhora da Torre.
«Fiquei entusiasmado quando me apereceu este jovem com a ideia de vestir a Senhora de novo e recuperar a Irmandade. Desta forma fizemos este ato simbólico, que tem a ver com a fé de Nuno Costa, mas a este ato está acupulado por outro que é a recuperação dos estatutos da Irmandade», destacou o Cónego José Paulo Abreu, que aponta mesmo «um mês» para a Irmandade entrar em funcionamento.
«O passo seguinte será a formação dos corpos gerentes e a partir daí a Irmandade terá o seu percurso, programa de ação, o que vai potenciar e culto da Nossa Senhora da Torre», destacou o vigário.
Para além das diversas atividades, os "irmãos" querem recuperar uma procissão secular, em torna das antigas muralhas medievais da cidade, que saía à rua em jeito de agradecimento à Senhora da Torre por manter a cidade intacta face ao terramoto de 1755.
De destacar que o acrescento feito à torre medieval que sustenta o altar da Senhora da Torre, junto da porta medieval sul da cidade de Braga, surge como agradecimento e terá sido feita pelo ano 1760, um "avental" desenhado e realizado pelo arquiteto André Soares.
Outro dos detalhes da Senhora da Torre, e contrariando algumas correntes, será mesmo esta a verdadeira padroeira da cidade de Braga, considerada mesmo a protetora da cidade contra as intempéries e maleitas vindas do exterior da capital do Minho e Augusta cidade.
Autor: Nuno Cerqueira