twitter

Arquidiocese de Braga apela ao envolvimento de todos no acompanhamento dos seminaristas

Arquidiocese de Braga apela ao envolvimento de todos no acompanhamento dos seminaristas galeria icon Ver Galeria
Fotografia DM

Jorge Oliveira

Jornalista

Publicado em 08 de novembro de 2026, às 21:11

Sessão solene de abertura dos Seminários teve lugar no Salão Paroquial das Caxinas, Vila do Conde

 O Arcebispo Metropolita de Braga, D. José Cordeiro, apelou, ontem, ao envolvimento das famílias e das comunidades paroquiais no acompanhamento do percurso formativo dos seminaristas e na vida do Seminário, considerado «o coração de uma diocese».

O apelo foi deixado durante a Eucaristia de abertura do novo ano de formação do Seminário Conciliar de Braga, que decorreu na Igreja de Nosso Senhor dos Navegantes, nas Caxinas, em Vila do Conde.

Foi a primeira vez que o Seminário Conciliar assinalou o início do ano lectivo fora das suas instalações, numa iniciativa que pretende reforçar a ligação às comunidades.

Na homilia, D. José Cordeiro sublinhou que a formação dos seminaristas não é uma responsabilidade exclusiva dos sacerdotes que asseguram o acompanhamento quotidiano no Seminário. Professores de Teologia, todo o presbitério, famílias, movimentos, grupos e restantes membros da Igreja também devem participar neste processo.

«Todos somos poucos para acompanharmos e acompanharmo-nos uns aos outros, porque todos somos devedores uns dos outros», afirmou.

O Arcebispo de Braga lembrou que as famílias e as paróquias são a «nascente» das vocações e reconheceu as dificuldades que marcam actualmente o caminho formativo dos seminaristas. «O combate no Seminário continua a ser duro», observou, alertando também para a existência de «poucos adultos na fé» capazes de acompanhar crianças e jovens no seu crescimento espiritual.

D. José Cordeiro destacou também que o tempo de Seminário não é apenas como uma etapa de preparação para a ordenação sacerdotal, mas também um caminho de formação de «adultos na fé» e de preparação para a vida.

O prelado falou também das escolhas vocacionais, apontando a pergunta de Jesus aos primeiros discípulos, “Que procurais?”, como referência fundamental para o discernimento vocacional.

Na sessão solene realizada no Salão Paroquial das Caxinas, antes da celebração eucarística, o director do Seminário Conciliar de Braga, o cónego Vítor Novais, defendeu que cuidar do Seminário é «uma responsabilidade partilhada».

«A comunidade precisa de cuidar das vocações», afirmou, sublinhando a importância de aproximar a instituição da realidade das comunidades paroquiais.

O responsável apresentou a visão de um «Seminário em saída», disponível para se «deixar transformar pelo encontro com as pessoas» e para «acolher a sabedoria da vida das comunidades». Uma relação de proximidade e de aprendizagem mútua que deverá contribuir para renovar a forma de servir e promover uma presença atenta aos desafios actuais.

Segundo o cónego Vítor Novais, o Seminário deve também assumir um papel activo no cuidado das comunidades, na promoção da fraternidade e no crescimento humano e espiritual dos seminaristas.

A sessão solene integrou ainda uma conversa informal com quatro convidados, dedicada à relação entre família, Seminário e vocações.

A médica Catarina Portelo e o marido, Pedro, partilharam a experiência enquanto casal, destacando a importância da verdade no florescimento da vocação, do respeito pelos outros, da aprendizagem recíproca e de uma atitude de gratidão perante a vida.

Por sua vez, os sacerdotes José António Carneiro e Vítor Araújo, párocos de Fafe e de Fornelos, respectivamente, apresentaram uma reflexão subordinada ao tema «Dinamismo de uma paróquia que gera vocações».

Os sacerdotes defenderam que uma cultura vocacional nasce do ambiente vivido nas comunidades cristãs, salientando a responsabilidade dos párocos na criação de condições favoráveis ao despertar das vocações. Destacaram igualmente o papel dos leigos no acompanhamento e discernimento dos caminhos vocacionais.