Largas centenas de devotos e peregrinos acompanharam, hoje, a trasladação dos restos mortais da Beata Alexandrina Maria da Costa da igreja paroquial para a nova igreja do Santuário Eucarístico de Balasar, numa celebração marcada pela emoção e pela devoção.
A Eucaristia, celebrada na igreja paroquial antes da procissão até ao novo santuário, foi presidida pelo Arcebispo Metropolita de Braga, D. José Cordeiro. Concelebraram D. Jorge Ortiga, Arcebispo Emérito de Braga, D. Manuel Linda, Bispo do Porto, D. Sérgio Dinis, Bispo das Forças Armadas e de Segurança, e D. Rui Gouveia, Bispo Auxiliar do Patriarcado de Lisboa, além de sacerdotes e diáconos.
Estiveram também presentes a presidente da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim, Andrea Silva, e o presidente da Junta de Freguesia de Balasar, Marco Silva, entre outros convidados.
Na homilia, D. José Cordeiro destacou a profunda ligação da Beata Alexandrina à Eucaristia, apresentando-a como a «luminária» do novo santuário e uma referência espiritual para os fiéis.
«Daqui pode irradiar mais uma luz na vida da Igreja. Alexandrina passa a ser esta luminária no santuário. É a lâmpada sempre acesa, por isso tantas pessoas aqui vêm», afirmou o Arcebispo de Braga.
O prelado manifestou-se impressionado com o número de devotos presentes, provenientes de Balasar, de comunidades vizinhas e de outras localidades da Arquidiocese de Braga, bem como com a presença de peregrinos vindos do estrangeiro, incluindo de «países improváveis».
D. José Cordeiro convidou os fiéis a seguirem o exemplo da Beata Alexandrina, particularmente o seu amor à Eucaristia, que definiu como «manancial de todas as graças», onde «o próprio Deus se oferece para nos transformar e nos fortalecer».
Devoção a Nossa Senhora
Na celebração, realizada no dia em que a Igreja assinalou a memória da Virgem Santa Maria, o Arcebispo de Braga recordou também a grande devoção da Beata Alexandrina a Nossa Senhora, a quem chamava carinhosamente «Mãezinha».
«À Virgem Santa Maria recorreu muitas vezes a Beata Alexandrina, pois em Maria encontrou uma mãe e um modelo no seguimento de Cristo. Alexandrina sabia que Maria a conduziria sempre para Cristo e para o amor imenso com que o Senhor ama cada um de nós», afirmou.
O prelado salientou ainda a importância do silêncio, da oração e da capacidade de guardar os acontecimentos da vida no coração, à imagem de Maria. Segundo explicou, esta atitude permite aprofundar a vivência da fé e acolher mais plenamente a vontade de Deus.
«Vivemos num ritmo frenético que não nos deixa saborear os acontecimentos, impedindo-nos de descobrir que a vida, mesmo com as suas dificuldades, tem em si uma promessa de eternidade que o Senhor a todos quer conceder. Só com esta capacidade de guardarmos no coração, até as palavras de Deus que não entendemos, é que nos será possível crescer em sabedoria e em graça», declarou.
D. José Cordeiro exortou ainda os fiéis a viverem em «profundidade, rejeitando a superficialidade», com «inteireza e verdade».
Esse compromisso, sublinhou, implica entregar-se «por completo ao Senhor Jesus», à semelhança da Beata Alexandrina Maria da Costa, que definiu como «uma pessoa tão cheia de pessoas» e que orientou a sua vida pelo lema «amar, sofrer e reparar».
No caminho da Beata, acrescentou, foram decisivos os seus diretores espirituais e confessores: o padre Mariano Pinho, S.J, o padre Umberto Pasquale, salesiano, e o padre Alberto Gomes, último confessor, da Arquidiocese de Braga.
A urna com os restos mortais da Beata Alexandrina foi transportada pelos Bombeiros Voluntários da Póvoa de Varzim. Durante o percurso da igreja paroquial até ao Santuário Eucarístico ouviram-se muitos aplausos e vivas a Alexandrina. Alguns moradores adornaram as suas casa com colchas.