Os 14 milhões de euros já investidos pela Fundação Alexandrina da Balasar vai garantir todas as condições para acolher com dignidade as centenas de milhares de peregrinos e visitantes que todos os anos se deslocam à freguesia da Póvoa de Varzim, que «é mais conhecida por estrangeiros do que entre os portugueses».
O reparo foi feito hoje pelo presidente da fundação que serve a causa de beata Alexandrina, na conferência de imprensa destinada a divulgar o programa das festas de inauguração do santuário eucarístico sediado no arciprestado da Póvoa de Varzim e Vila do Conde.
Presente no encontro com os jornalistas, o Arcebispo Metropolita de Braga, D. José Cordeiro, reforçou a ideia de que a devoção à beata de Balazar que se encontra em processo de canonização «tem maior acolhimento no estrangeiro» do que dentro de portas.
«O poder da fé é precisamente isto: não é a Igreja que impõe a devoção de “uma santa do povo”; é a devoção dos fiéis de todo o mundo aos valores de santidade vividos pela Alexandrina de Balasar que levam a Igreja e todo um país a este fenómeno magnífico», destacou o também Primaz das Espanhas, para reconhecer que os 250 a 300 mil visitantes que todos os anos visitam Balasar por causa da popularidade de Alexandrina «é um grande desafio» quer para a Igreja quer para as instituições civis e políticas, no sentido de «serem criadas as condições que permitem acolher a todos com dignidade».
Também o Monsenhor Manuel Casado Neiva, reitor do santuário e presidente da Fundação Alexandrina de Balasar, destacou o impacto que a dinâmica religiosa em torno da Beata Alexandrina está a motivar. «Vamos avançar com as obras da segunda fase, que visam a construção de equipamentos sociais para pudermos receber grandes encontros e disponibilizar espaços para as pessoas pernoitarem», disse o sacerdote, em declarações ao Diário do Minho e à DMTV.
Manuel Casado Neiva destacou «a colaboração» que tem tido do poder político local, que «reconhece» o contributo de Balasar para o desenvolvimento do concelho, que tem despertado também a colaboração do setor empresarial.
«Há gente de fora vir aqui já procurar comprar terrenos para investir. O investimento em unidades de alojamento hoteleiro é um assunto que Fundação Alexandrina de Balasar já tem abordado, no sentido de sensibilizar as empresas para um certo investimento».
«Pela nossa parte, e no espaço do santuário, também temos que colaborar com isso. Temos o auditório, temos a chance de realizar aqui fóruns e congressos e estamos disponíveis para uma maior articulação com as empresa», uma vez que «esse é um trabalho que vamos pensar mais fundo, quando iniciarmos o projeto da segunda fase do santuário», assegurou o também reitor do Santuário Eucarístico de Balasar.
O Arcebispo Metropolita de Braga vê a ideia com bons olhos e assume que também a Arquidiocese de Braga precisa de olhar de outra forma para a importância crescente do santuário de Balasar.
«Para nós, o Santuário Eucarístico de Balasar é um enorme desafio, esta tenda do encontro, que é agora o grande Santuário Eucarístico de Balazar. Como este modelo de santidade da Alexandrina Maria já congrega muitas pessoas e já faz com que muitos peregrinos venham a Balazar, vai também exigir da Arquidiocese uma logística mais consistente», continuou D. José Cordeiro, salientando que «o calendário [litúrgico] que tem a própria da Arquidiocese de Braga, onde a Beata Alexandrina se integra, é para nós um grande luseiro».
«É esse roteiro que nós também vamos apresentar em breve, o roteiro dos santos, das santas, dos beatas e das beatas e dos processos que estão em canonização, para que nos iluminem neste caminho de Páscoa. É que o caminho da cruz, como dizia a Beata Alexandrina, é a chave do céu», resumiu.