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É urgente supervisão democrática sobre a IA

Fotografia DR

Publicado em 09 de agosto de 2026, às 18:09

Cónego Luís Miguel Figueiredo Rodrigues, diretor da Faculdade de Teologia da UCP

O diretor da Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa (UCP) alertou para a urgência de uma supervisão democrática sobre a inteligência artificial (IA), rejeitando monopólios de grandes empresas tecnológicas sobre o conhecimento humano.
«Se é um bem comum, tem de ser regulamentado, protegido, e ter em conta que todos tenham acesso a esse bem comum», defendeu o cónego Luís Miguel Figueiredo Rodrigues, em entrevista à Agência Ecclesia. 
O sacerdote elogiou a coragem do Papa Leão XIV ao intervir publicamente sobre uma tecnologia ainda em pleno desenvolvimento através da encíclica “Magnifica Humanitas”, a primeira do seu pontificado. 
«Temos de estar aí com o coração entregue a Cristo, mas, ao mesmo tempo, a reconhecer, a participar, a ter uma palavra ativa», sublinhou o teólogo português, a respeito das transições culturais.
O docente da Universidade Católica Portuguesa manifesta preocupação com a apropriação indevida do saber coletivo da internet por parte de entidades privadas, que capitalizam a informação global através de assinaturas pagas. 
«Nós estávamos a ser usados para treinar a inteligência artificial», lamentou o investigador ao recordar a fase inicial de disponibilização gratuita destes sistemas aos cidadãos, pedindo que cada utilizador seja «o mais esclarecido possível e exigente». 
O especialista identifica a necessidade de «uma postura moral da comunidade que utiliza» a IA para evitar que as questões éticas levantadas pelo seu desenvolvimento sejam remetidas apenas para o âmbito das empresas que a desenvolvem.
Segundo o cónego Luís Miguel Figueiredo Rodrigues, a facilidade das respostas instantâneas fornecidas pela IA contribui para uma perda da «paciência» intelectual e da capacidade de manter a «tensão» necessária para a aprendizagem.
O investigador entende que a ilusão de infalibilidade das máquinas ignora a importância das opções erradas na construção da sabedoria humana e do discernimento moral.
«A inteligência artificial nunca erra e nunca diz que não sabe», alertou o diretor da Faculdade de Teologia da UCP, lembrando que os seres humanos constroem a sua empatia precisamente através do reconhecimento das suas próprias fragilidades.
O docente reconhece ainda que a uniformização dos textos gerados por algoritmos dilui a identidade individual, avisando o perito que a delegação excessiva nestas ferramentas faz com que os utilizadores percam a sua voz e o seu «estilo próprio».