twitter

Capela de Santa Ana, em Ribeirão, reabre ao culto após profunda requalificação

Capela de Santa Ana, em Ribeirão, reabre ao culto após profunda requalificação galeria icon Ver Galeria
Fotografia DR

Publicado em 28 de julho de 2026, às 11:57

Bispo auxiliar de Braga D. Delfim Gomes presidiu à celebração

A histórica Capela de Santa Ana, um dos mais emblemáticos espaços de culto da paróquia de Ribeirão, no Arciprestado de Ribeirão, reabriu as suas portas no passado domingo, após a conclusão de uma profunda intervenção de requalificação e restauro. 

A cerimónia de inauguração solene contou centenas de fiéis da paróquia de Ribeirão e de paróquias vizinhas, assinalando o retomar do culto num templo com mais de quatro séculos de história.

A celebração litúrgica foi presidida pelo Bispo Auxiliar de Braga, D. Delfim Gomes, que procedeu à Sagração do Altar, o momento mais alto e simbólico da cerimónia, disse o pároco de Ribeirão, o monsenhor Manuel Joaquim Fernandes.

Na homilia, o prelado destacou que o altar «é o coração visível desta capela», sublinhando que é nele que  a comunidade «descobre quem é e para quem vive».

«Um templo pode ser belo, amplo, luminoso, mas só se torna verdadeiramente igreja quando tem um altar consagrado, porque é nele que a Palavra se faz gesto, que o pão se torna Corpo, que a comunidade se torna família», acrescentou.

Inspirando-se na parábola do tesouro escondido, proclamada no Evangelho de domingo, D. Delfim Gomes estabeleceu uma ligação entre a figura de Santa Ana e a transmissão da fé entre gerações.

Referiu que «esse tesouro é transmitido de geração em geração, através da fé vivida no quotidiano», destacando o papel de Santa Ana, a mãe de Nossa Senhora, como exemplo de fidelidade, humildade e perseverança.

O prelado salientou ainda a importância das mulheres na vida da Igreja, recordando «a fé dos avós, das mães e das mulheres que sustentam a vida espiritual das comunidades com a sua oração e presença».

D. Delfim terminou a sua reflexão apelando ao reconhecimento de todos quantos ao longo da vida transmitem a fé às novas gerações, nomeadamente os pais, avós, catequistas, sacerdotes, amigos.

Pároco liderou esforços
para intervenção 

O projeto de reabilitação da capela foi promovido pelo monsenhor Manuel Joaquim Fernandes, pároco de Ribeirão, que liderou os esforços para devolver o esplendor a este património com séculos de história e que é muito querido às gentes de Ribeirão.

A cerimónia contou ainda com a presença do presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, Mário Passos, do presidente da Junta de Freguesia de Ribeirão, Leonel Rocha, e do arquiteto Joaquim Coimbra, que orientou as obras.

A requalificação e restauro da capela representou um investimento de total de cerca de 350 mil euros, financiado, em grande parte, pelos paroquianos e inúmeros devotos de Santa Ana. 
A intervenção, que contou ainda com o apoio e colaboração da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão e da Junta de Freguesia de Ribeirão, permitiu recuperar o património arquitetónico e artístico da capela, melhorando simultaneamente as condições de conforto e funcionalidade das celebrações religiosas, preservando o valor histórico do edifício.

«Perante a necessidade de restauro do património já bastante degradado, tanto exterior como interiormente, procedeu-se a uma requalificação e restauro profundos, adaptando o espaço religioso ao nosso tempo. O conforto e beleza agora adquiridos dão-lhe funcionalidade para celebrações, devolvendo à Paróquia este espaço de culto», explica o monsenhor Manuel Joaquim Fernandes,

Com a conclusão desta obra emblemática, a Capela de Santa Ana, acrescenta, «projeta-se agora para o futuro, conciliando a preservação da sua rica herança secular com a modernidade necessária para realizar celebrações litúrgicas com a dignidade que se requer». 

Capela secular

A história da capela de santa Ana remonta ao século XVI. As primeiras referências documentais conhecidas datas de 1560, através do manuscrito “Obrigação à fábrica da Ermida de Santa Ana”. Em 1758, o reitor Manuel Teixeira Moreira registava já a afluência a esta ermida de numerosos fiéis e peregrinos.

Em 1873, o Abade Manuel Maria Teixeira promoveu uma ampla remodelação que definiu a configuração arquitetcónica da atual capela. Mais de 150 anos depois, a degradação do edifício tornou necessária uma intervenção profunda, agora concluída, que assegura a preservação deste património para as próximas gerações.