A histórica Capela de Santa Ana, um dos mais emblemáticos espaços de culto da paróquia de Ribeirão, no Arciprestado de Ribeirão, reabriu as suas portas no passado domingo, após a conclusão de uma profunda intervenção de requalificação e restauro.
A cerimónia de inauguração solene contou centenas de fiéis da paróquia de Ribeirão e de paróquias vizinhas, assinalando o retomar do culto num templo com mais de quatro séculos de história.
A celebração litúrgica foi presidida pelo Bispo Auxiliar de Braga, D. Delfim Gomes, que procedeu à Sagração do Altar, o momento mais alto e simbólico da cerimónia, disse o pároco de Ribeirão, o monsenhor Manuel Joaquim Fernandes.
Na homilia, o prelado destacou que o altar «é o coração visível desta capela», sublinhando que é nele que a comunidade «descobre quem é e para quem vive».
«Um templo pode ser belo, amplo, luminoso, mas só se torna verdadeiramente igreja quando tem um altar consagrado, porque é nele que a Palavra se faz gesto, que o pão se torna Corpo, que a comunidade se torna família», acrescentou.
Inspirando-se na parábola do tesouro escondido, proclamada no Evangelho de domingo, D. Delfim Gomes estabeleceu uma ligação entre a figura de Santa Ana e a transmissão da fé entre gerações.
Referiu que «esse tesouro é transmitido de geração em geração, através da fé vivida no quotidiano», destacando o papel de Santa Ana, a mãe de Nossa Senhora, como exemplo de fidelidade, humildade e perseverança.
O prelado salientou ainda a importância das mulheres na vida da Igreja, recordando «a fé dos avós, das mães e das mulheres que sustentam a vida espiritual das comunidades com a sua oração e presença».
D. Delfim terminou a sua reflexão apelando ao reconhecimento de todos quantos ao longo da vida transmitem a fé às novas gerações, nomeadamente os pais, avós, catequistas, sacerdotes, amigos.
Pároco liderou esforços
para intervenção
O projeto de reabilitação da capela foi promovido pelo monsenhor Manuel Joaquim Fernandes, pároco de Ribeirão, que liderou os esforços para devolver o esplendor a este património com séculos de história e que é muito querido às gentes de Ribeirão.
A cerimónia contou ainda com a presença do presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, Mário Passos, do presidente da Junta de Freguesia de Ribeirão, Leonel Rocha, e do arquiteto Joaquim Coimbra, que orientou as obras.
A requalificação e restauro da capela representou um investimento de total de cerca de 350 mil euros, financiado, em grande parte, pelos paroquianos e inúmeros devotos de Santa Ana.
A intervenção, que contou ainda com o apoio e colaboração da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão e da Junta de Freguesia de Ribeirão, permitiu recuperar o património arquitetónico e artístico da capela, melhorando simultaneamente as condições de conforto e funcionalidade das celebrações religiosas, preservando o valor histórico do edifício.
«Perante a necessidade de restauro do património já bastante degradado, tanto exterior como interiormente, procedeu-se a uma requalificação e restauro profundos, adaptando o espaço religioso ao nosso tempo. O conforto e beleza agora adquiridos dão-lhe funcionalidade para celebrações, devolvendo à Paróquia este espaço de culto», explica o monsenhor Manuel Joaquim Fernandes,
Com a conclusão desta obra emblemática, a Capela de Santa Ana, acrescenta, «projeta-se agora para o futuro, conciliando a preservação da sua rica herança secular com a modernidade necessária para realizar celebrações litúrgicas com a dignidade que se requer».
Capela secular
A história da capela de santa Ana remonta ao século XVI. As primeiras referências documentais conhecidas datas de 1560, através do manuscrito “Obrigação à fábrica da Ermida de Santa Ana”. Em 1758, o reitor Manuel Teixeira Moreira registava já a afluência a esta ermida de numerosos fiéis e peregrinos.
Em 1873, o Abade Manuel Maria Teixeira promoveu uma ampla remodelação que definiu a configuração arquitetcónica da atual capela. Mais de 150 anos depois, a degradação do edifício tornou necessária uma intervenção profunda, agora concluída, que assegura a preservação deste património para as próximas gerações.



