O Clero da Arquidiocese de Braga esteve reunido na manhã de ontem, dia 12 de junho, para viver momentos de oração, partilha e convívio fraterno. O encontro decorreu na igreja paroquial de Riba de Ave (arciprestado de Vila Nova de Famalicão), onde foi celebrada a Eucaristia, seguida de um almoço no salão paroquial.
O encontro do Clero da Arquidiocese realizou-se no dia da Solenidade do Coração de Jesus, em que toda a Igreja é convidada a rezar pela santificação dos sacerdotes.
«É um dia oportuno para também nós estarmos juntos, para nos ajudarmos uns aos outros neste processo precisamente de configuração com Cristo», sublinhou o Bispo auxiliar da Arquidiocese de Braga D. Nélio Pita, que presidiu à celebração. D. Delfim Gomes, Bispo auxiliar da Arquidiocese, concelebrou juntamente com os sacerdotes presentes.
Além de sacerdotes, participaram na Eucaristia diáconos, seminaristas bem como membros da comunidade que se uniram para rezar pelos presbíteros.
D. Nélio Pita lembrou que o clero deve tornar-se cada vez mais semelhante a Jesus, «na sua forma de ser, na sua forma de estar». Destacou, porém, que sozinho nenhum membro do clero consegue fazê-lo.
«Precisamos do apoio uns dos outros, por isso este tempo, este dia é muito importante», afirmou o prelado.
«Nós devemos estar juntos não apenas para trabalhar, mas também para rezar e conviver, porque somos membros do mesmo presbitério, somos irmãos - uma fraternidade que foi nos dada pelo batismo, mas também uma fraternidade que é consagrada pelo sacramento que recebemos, o sacramento da Ordem”, acrescentou o bispo.
Abrir os braços e dialogar
Na homilia, D. Nélio afirmou que «amar exige abrir os braços e deixar-se crucificar para que o outro seja reconhecido e valorizado como membro do meu grupo, como meu irmão».
«Por isso, caríssimos irmãos, como grupo, como presbitério, é necessário continuar a dialogar e a aprofundar temas, mesmo aqueles que são delicados, aqueles que são terra fértil de dissonâncias, como o atual debate sobre o Estatuto Económico do Clero, ou questões associadas a problemáticas pastorais, ou ainda a Igreja que queremos ser no futuro. Que este debate não seja motivo de divisão. Evitemos o escândalo da divisão”, recomendou D. Nélio na sua reflexão.
Quanto ao papel do sacerdote no meio da comunidade e na condução dos fiéis, o bispo recordou o sentido da vida sacerdotal: «Fomos consagrados, ungidos, para servir o povo de Deus. Esta é a razão de ser da nossa vocação. Não estamos acima de ninguém, mas ao lado, como pastores que acompanham e apontam caminhos. O nosso tempo, os nossos dons e, por vezes, até o nosso corpo, pertencem ao povo» afirmou.
O bispo concluiu refletindo sobre as dificuldades da vida do clero, mas também sobre o que o motiva: «Como consagrados para o serviço de um povo, com as suas particularidades, todos nós que trabalhamos com pessoas já sofremos as agruras de sermos pastores, mas fazemos-no sempre motivados pelo amor. Temos Jesus como referência fundamental. Por amor, apenas por amor», concluiu.
