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Arquidiocese de Braga quer assegurar uma «vida digna» ao presbitério

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Jorge Oliveira

Jornalista

Publicado em 06 de maio de 2026, às 15:57

Conselho Presbiteral reuniu-se na casa da Obra do Amor Divino, na Póvoa de Lanhoso

A Arquidiocese de Braga deu hoje mais um passo importante na definição do Estatuto Económico do Clero, um processo em curso há cerca de um ano e que tem envolvido arciprestes, vice-arciprestes, sacerdotes e leigos.

O tema esteve em destaque na Assembleia Plenária do Conselho Presbiteral, realizada nas instalações da Congregação Obra do Amor Divino, em Travassos, no arciprestado da Póvoa de Lanhoso, presidida pelo Arcebispo Metropolita de Braga, D. José Cordeiro. A reunião contou também com a presença dos Bispos auxiliares, D. Delfim Gomes e D. Nélio Pita.

Na abertura dos trabalhos, D. José Cordeiro deu nota que a elaboração do Estatuto Económico do Clero assenta num caminho de escuta e participação conjunta, integrado na formação permanente dos presbíteros e orientado para uma Igreja «mais sinodal e ministerial».

«É um caminho que estamos a fazer juntos. Caminhamos sem deixar ninguém para trás. Queremos prosseguir com as nossas fragilidades e também com os nossas potencialidades que são maiores que as fragilidades», afirmou.

O prelado destacou a necessidade de uma abordagem que vá para além da côngrua (dimensão económica), integrando aspectos humanos, espirituais e pastorais, bem como princípios de «transparência, prestação de contas e avaliação».

«O cuidar o Estatuto Económico do Clero integra toda a vida presbiteral na relação com o povo de Deus, com as comunidades que estão confiadas a cada presbítero, o estilo de vida do sacerdote como testemunha credível do Evangelho», explicou o prelado, acrescentando que a missão do clero deve ser concretizada, na medida do possível, «em gestos, em atos e compromissos».

O primeiro secretário do Conselho Presbiteral, o cónego Manuel Joaquim da Costa, recordou que o trabalho de base deste processo começou a ser refletido na Assembleia dos Presbíteros de maio de 2025, continuou com o Conselho de Arciprestes e Vice-Arciprestes e depois a reflexão foi alargada às bases, envolvendo diretamente os sacerdotes, com vista à recolha de contributos.

Documento continua aberto a contributos

Na Assembleia de hoje, os conselheiros analisaram esses contributos e deram continuidade ao processo de «maturação» do Estatuto Económico do Clero que pretende, disse o cónego Manuel Joaquim da Costa, garantir uma «vida digna e equitativa para todos os presbíteros».

O documento está em fase avançada de elaboração, mas continua aberto a novos contributos.

De acordo com o cónego Manuel Joaquim da Costa, a proposta base «não é para ser imposta, nem será iniciada de forma abrupta», prevendo «ritmos diferenciados, sempre aberto a ajustes» tendo em conta o que for melhor para as comunidades e para os presbíteros.

«Neste momento estamos precisamente em caminho sinodal à descoberta do melhor», acrescentou.

A receptividade por parte do presbitério tem sido, segundo o responsável, globalmente positiva, embora reconheça que a mudança de hábitos e dinâmicas enraizadas representam um desafio, sobretudo num contexto marcado pelo envelhecimento de parte do Clero.

«Vemos que o presbitério é sensível ao facto de o Bispo e a Diocese estarem atentos. E creio que no diálogo, na sintonia, na demonstração continuada de interesse e de empenho no sentido de irmos ao encontro de todos, este trabalho, pouco a pouco, vai chegara  bom porto», acrescentou.

Fragilidades no ministério sacerdotal

Além do Estatuto Económico, a Assembleia Plenária abordou as fragilidades dos sacerdotes no exercício do seu ministério, tendo como mote inspirador a mensagem e a intenção do Papa Leão XIV para o mês de abril.

O Arcebispo alertou para o risco de dispersão em tarefas secundárias, reforçando a necessidade do sacerdote ser «coerente com o Evangelho» e de «espelhar a força de Jesus Cristo», numa Igreja que deve ser «casa de todos» e que deve cuidar de todas as dimensões da vida, incluindo a vida sacerdotal,«em comunhão com o Povo de Deus».

O Conselho Presbiteral reúne duas vezes por ano, nos meses de novembro e maio, e tem vindo a desenvolver um percurso de reflexão sobre a vida e missão dos presbíteros, no qual se insere a elaboração deste Estatuto Económico do Clero.