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Núncio apostólico associa ataques de Trump ao Papa com incapacidade de aceitar quem pensa diferente

Núncio apostólico associa ataques de Trump ao Papa com incapacidade de aceitar quem pensa diferente
Fotografia Arquivo DM

Redação/Lusa

Publicado em 17 de abril de 2026, às 14:51

Andrés Carrascosa fala num «mundo perigoso e nde o conceito de guerra preventiva procura justificar conflitos»

O núncio apostólico em Portugal, arcebispo Andrés Carrascosa, associou hoje “o ataque” de Donald Trump ao Papa com a incapacidade de aceitar quem pensa diferente, num mundo mais perigoso e onde o conceito de guerra preventiva procura justificar conflitos.

“No fundo, porquê o ataque de Trump [ao papa Leão XIV]?”, questionou hoje o arcebispo Andrés Carrascosa, sustentando que, quando alguém não é capaz “de confrontar-se com aquele que é diferente, que pensa diferente”, há que "tentar anulá-lo".

“Se não pode bater, [quem não aceita as diferenças] tem que falar, tem que atacar, tem que destruir”, afirmou o núncio apostólico em Portugal na Conferência "Diplomacia da paz num mundo em conflito: da urgência à utopia?", integrado no programa das V Jornadas de Comunicação do Santuário de Fátima.

Na conversa em que o nome do Presidente norte-americano foi abordado várias vezes, o núncio lembrou que “há mais América” por trás do líder do país, instando a que comunicação social fale menos do Presidente, que “gosta que se fale dele” e sobre o qual ironizou: “pensa que é Deus”.

Nos últimos dias, Donald Trump e o Papa Leão XIV trocaram críticas públicas, depois de o pontífice ter assumido uma posição firme contra a guerra e a favor da paz, tendo sido acusado pelo líder norte-americano de ser "fraco contra o crime" e "terrível em política externa".

No seguimento dessas críticas, o chefe da Igreja Católica respondeu a Donald Trump que "o evangelho é claro" e que "a Igreja tem a obrigação moral de ser contra a guerra".

Numa altura em que “o mundo está a mudar de uma forma perigosa”, o debate não pode centrar-se apenas em Donald Trump, quando líderes de países como a Rússia ou a China invadem outros territórios, defendeu o arcebipo.

“Um dos grandes problemas dessa mudança" foi o crescimento do “conceito de guerra preventiva”, com países que, “achando que vão ser atacados, atacam primeiro”.

Um caminho que, para Andrés Carrascosa, põe em causa o direito internacional, já que se “perde toda a força da lei" em favor "da lei da força”.

Na conferência, o núncio alertou ainda para o crescimento dos populismos, que “propõem soluções fáceis para problemas difíceis”, considerando que a guerra “nunca resolve nada”.

“Atacar uma população é sempre imoral”, afirmou, acrescentando que o problema se extrema quando uma ou ambas as partes “quer justificar o injustificável”, defendendo a necessidade dos conflitos armados, com motivos “religiosos ou outros".

Por isso, justificou, o Papa Leão XIV visitou vários países africanos, onde estão “a ser gastos milhões” em armas e “quando há milhões de pessoas a passar fome”, para manifestar “a intenção de Santa Sé em concretizar a sua agenda de paz e reconciliação”.

O Papa está a realizar a sua primeira viagem apostólica a África, entre 13 e 23 de abril, visitando Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial.
O representante da Santa Sé em Portugal foi orador numa conferência em que participou também o diplomata, antigo embaixador da União Europeia nos Estados Unidos da América, nas Nações Unidas e no Reino Unido João Vale de Almeida, e o padre Angelo Romano, membro do Departamento de Relações Internacionais da Comunidade de Sant’Egídio.

As jornadas de comunicação do Santuário de Fátima prosseguem até ao final do dia com oficinas práticas.