O Papa lançou hoje um apelo veemente por um cessar-fogo no Médio Oriente, manifestando preocupação particular com a situação no Líbano.
«Cessem o fogo. Reabram-se vias de diálogo. A violência nunca poderá conduzir à justiça, à estabilidade e à paz que os povos aguardam», disse Leão XIV, desde a janela do apartamento pontifício, no Vaticano, após a recitação do ângelus.
A intervenção foi saudada com uma salva de palmas pela multidão presente na Praça de São Pedro.
Duas semanas após o início dos ataques de EUA e Israel contra o Irão, o Papa alertou para o impacto do conflito nas populações civis e nas infraestruturas, denunciando a «violência atroz da guerra».
O pontífice dirigiu-se aos «responsáveis por este conflito» para pedir medidas que garantam o apoio à sociedade libanesa.
«A situação no Líbano é motivo de grande preocupação. Desejo que se abram caminhos de diálogo que possam apoiar as autoridades do país na implementação de soluções duradouras para a grave crise em curso, em prol do bem comum de todos os libaneses», disse Leão XIV.
O Papa deixou estes apelos «em nome dos cristãos do Médio Oriente e de todas as mulheres e homens de boa vontade».
No sábado, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, falou em Beirute, instando Israel e o Hezbollah a optarem pelas vias diplomáticas.
«A minha mensagem às partes beligerantes é clara: parem os confrontos, parem os bombardeamentos, não há solução militar. Apenas diplomacia, diálogo e a aplicação integral da Carta das Nações Unidas e das resoluções do Conselho de Segurança”, indicou o responsável português.
Dados da Organização Internacional para as Migrações (OIM) indicam que o número de deslocados em território libanês se aproxima de um milhão de pessoas, registando-se ainda 773 mortos e 1933 feridos, na sequência de ataques israelitas.
A atual escalada bélica teve início a 28 de fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel lançaram uma ofensiva militar contra o Irão que resultou na morte do líder supremo iraniano, o aiatola Ali Khamenei, no poder desde 1989.
Em retaliação, o Irão encerrou o estreito de Ormuz e lançou ataques contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em vários países.
Papa pede cristianismo de «olhos abertos»
Na sua mensagem após a recitação do ângelus, o Papa rejeitou que a fé represente uma renúncia à razão, apelando à atenção dos católicos para as situações de injustiça e de sofrimento global.
«Chama a atenção que se tenha difundido, ao longo dos séculos, a opinião, ainda hoje presente, de que a fé seria uma espécie de ‘salto no escuro’, uma renúncia ao pensamento, de modo que ter fé significaria acreditar ‘cegamente’», referiu Leão XIV, desde a janela do apartamento pontifício, onde reside desde este sábado.
O Papa assinalou que a aproximação à mensagem cristã exige uma atitude atenta à realidade e de recusa de zonas de conforto., pedindo um cristianismo de «olhos abertos» ao sofrimento da humanidade.