A igreja Nova de S. José esteve repleta de fiéis para a celebração que assinalou o início da Visita Pastoral ao Arciprestado de Fafe, presidida pelo Arcebispo Metropolita de Braga, D. José Cordeiro, acompanhado pelos dois Bispos auxiliares, D. Delfim Gomes e D. Nélio Pita.
A visita acontece nove anos após a última realizada no Arciprestado de Fafe, que decorreu sob a responsabilidade do então Arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga. A celebração, na noite de ontem, reuniu fiéis e representações das 37 paróquias do Arciprestado de Fafe, aos quais foi entregues o Círio Pascal que será acesso em cada comunidade paroquial na noite da Vigília Pascal. Um gesto simbólico em sinal de comunhão e ligação entre as comunidades paroquiais.
A vigília de oração incluiu um momento de adoração eucarística no contexto do Lausperene da Arquidiocese de Braga, contando também com a presença de sacerdotes e diáconos que estão ao serviço das comunidades de Fafe.
Na homilia, D. José Cordeiro começou por destacar a originalidade do início desta visita pastoral, realizada à noite e em comunhão com toda a Igreja na iniciativa das “24 Horas para o Senhor”, promovida pelo Papa Francisco.
«É a primeira vez que iniciamos à noite uma visita pastoral para que seja sinal da Luz da Páscoa», afirmou o prelado.
O Arcebispo sublinhou que a visita pastoral constitui um «momento de graça» e recordou a tradição iniciada pelo Arcebispo Frei Bartolomeu dos Mártires após o Concílio de Trento, prática que «continua com grande atualidade» e a marcar a vida pastoral da Igreja.
«Quem visita, na verdade, não somos nós, os três bispos, mas é Cristo», referiu.
Durante a celebração, o prelado incentivou os cristãos a serem «testemunhas credíveis» e «construtores da paz, mesmo neste tempo em que o contexto internacional é marcado por guerras, conflitos e tensões.
«Somos chamados a construir a paz, a justiça, a verdade e o amor, mesmo que a situação geopolítica do mundo pareça ir em sentido contrário», afirmou.
Recordando a «enorme força da oração», D. José Cordeiro sublinhou que «sem oração não há missão» e apelou aos fiéis para que sejam semeadores da Palavra de Deus no quotidiano.
«Temos que semear todos os dias e aproveitar as ocasiões que nos são oferecidas como estes momentos pastorais. Se não semearmos ninguém vai colher», afirmou.
Considerando a Visita Pastoral um «sacramento da estrada e do caminho», o Arcebispo desafiou os cristãos a oferecerem aos outros «este Caminho de Páscoa» e a serem «servidores criativos».
Na homilia, o Arcebispo recordou também alguns dos desafios que marcam atualmente a vida da Igreja, como a diminuição do número de sacerdotes e o afastamento de muitos fiéis da vida paroquial - realidade que, disse, se acentuou após a pandemia.
«A diminuição do número do clero ao serviço das comunidades vai exigir de nós uma reorganização territorial e uma conversão pastoral e missionária», assinalou.
Neste contexto, D. José destacou a importância da corresponsabilidade dos leigos, do diaconado e de novos ministérios na dinamização das comunidades cristãs, defendendo uma Igreja «mais viva, consciente e criativa».
Durante a celebração, que contou com a presença do presidente da Câmara Municipal de Fafe, Antero Barbosa, os fiéis foram ainda convidados a rezar pelos frutos desta visita pastoral, destinada a fortalecer as comunidades e a renovar a vida cristã no território.
A Visita Pastoral ao Arciprestado de Fafe é a sétima que os bispos vão fazer no conjunto dos 13 Arciprestados, seguindo a ordem alfabética. Nesta «sétima estação», como caracterizou D. José, as visitas às paróquia decorrem entre 17 de abril e 31 de maio.



