A procissão dos Passos de Barcelos voltou a sair às ruas, naquela que é, indiscutivelmente, uma das grandes manifestações públicas de fé no concelho e na cidade. Perante uma grande multidão, tanto no interior da Igreja Matriz e, sobretudo, na alameda do templo do Senhor do Bom Jesus da Cruz, o pregador, o padre Renato Oliveira, apelou aos presentes a serem instrumentos de paz e a partilharem as dores das várias formas de pobreza que afetam a sociedade.
Ainda dentro da Matriz, como forma de preparar os fiéis para a Procissão, o sacerdote da diocese de Viana do Castelo lembrou que da região católica é a «rotinização». Por isso, pediu. «Vamos percorrer os Passos de Jesus, não apenas por tradição, não apenas por rotina, ritual ou preceito Quaresmal. Vamos, com devoção, sintonizarmos com os Passos de Jesus e procurar perceber as implicações concretas na nossa vida».
E o padre Renato deu exemplos de como a imagem de Cristo na Cruz pode e deve ter implicações na vida de cada um. «Que nós sejamos capazes de partilhar as dores dos mais pobres. E há tantas formas de pobreza: daqueles que passam por diferentes doenças, dos casais que passam por tantas dificuldades, de jovens que se sentem perdidos num futuro tantas vezes incerto, dos idosos tantas vezes abandonados, desprezados, dos migrantes tantas vezes vítimas de diversas formas de exclusão», enumerou, acrescentando: «no fundo, é um convite a que todos, a começar por mim, ainda estamos no início da Quaresma, que neste caminho que nos vai conduzir até à Páscoa, possamos crescer nesta solicitude de ir ao encontro dos irmãos, sempre fazendo esta opção preferencial por aqueles que mais estão a sofrer».
Contra a indiferença que grassa no mundo
Nestes dias turbulentos em todo o mundo, com várias guerras, o padre Renato Oliveira lembrou que os cristãos devem distingui-se dos outros.
«Nestes tempos tão marcados pelas guerras, pelas injustiças e violências, aquilo que deve distinguir o cristão é a capacidade de ser, de verdade, num mundo marcado por guerras, por ódios, por perseguições, por injustiças, um instrumento de paz. Termos a capacidade de, no meio do mundo onde reina a violência, sermos capazes de nos compadecermos e de ouvir os nossos irmãos. Porque, as crises e guerras que estamos a viver, causam vítimas diretas, mas também muitas vítimas indiretas. Há homens e mulheres ao nosso lado a sofrer por causa da turbulência destes tempos».
E enfatizou ainda. «O que é que se pede aos cristãos? Que sejamos, de facto, sinais privilegiados da misericórdia de Deus, que não nos tornemos, também nós, vítimas da indiferença que grassa pelo mundo, mas nos sintamos, de verdade, responsáveis pelos irmãos».
O pregador frisou o «amor transformador» de Deus, um Deus que, sem deixar de O ser, tornou-se «profundamente humano».
Aliás, salientou que a Cruz «é a maior prova de amor de Deus» pela humanidade. «A cruz deixou de ser a vergonha da punição e passou a ser o estandarte da salvação».
Ainda dentro da igreja, houve vários momentos simbólicos, nomeadamente a leitura encenada do Evangelho, com a narração da Paixão e Morte na Cruz. Uma leitura intercalada com músicas interpretadas pela Banda de Musica de Oliveira e o Coral Magistrói de Santiago de Carepeços.
Uma vez mais, as várias confrarias, irmandades e Santa Casa da Misericórdia de Barcelos ajudaram a dar corpo e solenidade à procissão dos Passos de Barcelos. Assim como os escuteiros, os Bombeiros e os cavalos.
As autoridades civis, designadamente o presidente da Câmara Municipal, Mário Constantino; e alguns vereadores também acompanharam todo o evento pelas principais ruas da cidade.


