O Papa Leão XIV recordou hoje, no Vaticano, as vítimas do mau tempo em Portugal e Moçambique, bem como no sul da Itália.
«Rezemos pelos falecidos e por todos aqueles que sofrem devido às tempestades que nos últimos dias atingiram Portugal e o sul de Itália. E não nos esqueçamos das populações de Moçambique, duramente atingidas pelas inundações», disse, desde a janela do apartamento pontifício, após a recitação do ângelus.
Leão XIV tinha enviado na última sexta-feira uma mensagem de solidariedade às populações afetadas pela passagem da tempestade Kristin, divulgada pela Conferência Episcopal Portuguesa.
Perante milhares de pessoas reunidas na Praça de São Pedro, o Papa evocou as «numerosas vítimas do deslizamento de terra» numa mina do Kivu do Norte, na República Democrática do Congo.
«Que o Senhor sustente aquele povo que tanto sofre», rezou.
Patriarca de Lisboa pede que ninguém fique para trás
Também, hoje, o patriarca de Lisboa pediu especial atenção às vítimas causadas pela tempestade Kristin, que causou grande destruição no distrito de Leiria e em várias outras regiões do país.
D. Rui Valério apelou a uma cultura de serviço e a uma «reconstrução» que ampare os mais frágeis, em mensagem inspirada pelas Bem-aventuranças de Jesus.
«Quem são os mansos, senão os que resistem à tentação da violência, da revolta cega, do “cada um por si”? Quem tem fome e sede de justiça, senão os que exigem que ninguém fique para trás na reconstrução?», questionou D. Rui Valério, na homilia da Missa a que presidiu no Parque das Nações, por ocasião do Dia Nacional da Universidade Católica Portuguesa.
«Depois da tempestade, estas palavras soam com uma força nova. Quem são hoje os pobres em espírito, senão aqueles que perceberam que não se bastam a si mesmos? Quem são os que choram, senão os que viram a sua segurança abalada e perderam entes queridos?», acrescentou, na igreja de Nossa Senhora dos Navegantes.
Numa homilia citada pela Agência Ecclesia, o patriarca de Lisboa afirmou que a tempestade Kristin expôs fragilidades e trouxe «perdas, inquietações, medos», numa referência direta a milhares de pessoas sem eletricidade e aos avultados danos materiais em várias zonas do território continental.
«Subimos com Jesus levando connosco casas atingidas, campos devastados, famílias inquietas, trabalhadores exaustos, comunidades feridas. A Palavra não nos retira da realidade; entra nela», sublinhou D. Rui Valério.
Bispo de Leiria-Fátima destaca ajuda dos imigrantes
Também o bispo de Leiria-Fátima voltou a colocar o drama causado pelo mau tempo na agenda do dia.
D. José Ornelas rejeitou os discursos que associam os imigrantes aos problemas do país, elogiando o exemplo de muitos estrangeiros que se disponibilizaram para ajudar as populações atingidas pela depressão Kristin. «“Estamos juntos aqui, porque o vento não escolheu nacionalidades nem culturas, o vento chegou para todos, mas também moveu corações de todos», disse D. José Ornelas.
*Com Agência Ecclesia