O Conselho Pastoral Arquidiocesano de Braga participou hoje no II Encontro Nacional Sinodal, que decorreu no Santuário de Fátima, com o tema “Da escuta à missão: Espiritualidade sinodal e implicações pastorais”. Ao intervir no encontro a Arquidiocese de Braga reforçou a consciência e a convicção que as decisões pastorais partilhadas fortalecem a sinodalidade.
No ponto, “Um passo concreto: A transição para uma metodologia de corresponsabilidade”, a Igreja de Braga refere que o passo mais significativo na receção do Documento Final tem sido a mudança no método de trabalho, que passou a privilegiar um maior tempo para a escuta, a pluralidade de vozes e o cuidado na formulação de consensos. «Este espírito sinodal já começou a permear as ações e o modo de pensar da diocese, influenciando decisões pastorais que deixaram de ser individuais para se tornarem percursos partilhados», lê-se no documento enviado ao Diário do Minho.
Como iniciativas realizadas, a Arquidiocese de Braga destaca a valorização e renovação dos Conselhos Pastorais Paroquiais, promovendo-os como espaços de transparência, decisão partilhada e prestação de contas; a implementação da iniciativa «Renovar», cuja 3.ª edição já está prevista para outubro próximo, que tem impulsionado o despertar dos membros das comunidades, a conversão espiritual e pastoral através de novas propostas e métodos e da formação periódica; A realização de ações concretas de reflexão e momentos de escuta e oração sem julgamento para consciencializar sobre o que é a sinodalidade.
Para a Igreja Bracarense, uma dificuldade significativa tem sido o desafio de passar da escuta à decisão.
«A resistência mais profunda não é ideológica, mas cultural e estrutural, manifestando-se na grande dificuldade de transitar de uma fase de consulta para uma redistribuição real de responsabilidades e decisão partilhada. Subsiste um sentimento demasiado hierárquico e um clericalismo “inculturado”, onde alguns párocos ainda lideram sozinhos, sentindo desconforto na valorização efetiva dos leigos, especialmente mulheres e jovens».
Igreja de Braga vê uma esperança emergente
Mas o Conselho Pastoral Arquidiocesano de Braga salienta uma esperança emergente, que é o amadurecimento da consciência sinodal. «O sinal positivo mais consistente é o surgimento de uma geração de leigos que já não se limita a executar, mas que pensa, discerne e propõe com a Igreja. Nota-se uma maior liberdade para falar com verdade, onde conflitos e fragilidades são agora vistos como matéria legítima de discernimento e não apenas como falta de fé», enaltece.
A comitiva de Braga partilhou ainda o tema do itinerário litúrgico do Advento – Natal, na Arquidiocese de Braga, que foi o “Jardim da Esperança”. «Termino dizendo que a implementação do caminho e estilo sinodal tem sido semelhante à preparação de um terreno antigo para uma nova sementeira: já se vê o solo a ser revolvido (os novos métodos), alguns primeiros rebentos a surgir (o protagonismo dos leigos), mas ainda se luta contra as raízes profundas de arbustos antigos (o clericalismo) que resistem a dar lugar ao novo jardim. Mas há esperança... e muita!», concluiu o padre Sérgio Torres.
No final, o Arcebispo Metropolita de Braga abordou o segundo encontro nacional sinodal, classificando-o como «uma bela experiência da comunhão das igrejas que peregrinam em Portugal, em cada diocese», frisando o esforço de um caminho conjunto e de uma vida espiritual.