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Doutrina da Fé diz que nenhuma Conferência Episcopal pode impedir bênção a casais «em situação irregular»

Doutrina da Fé diz que nenhuma Conferência Episcopal pode impedir bênção a casais «em situação irregular»
Fotografia DR

Redação

Agência Ecclesia

Agência noticiosa católica

Publicado em 05 de janeiro de 2024, às 11:34

Doutrina da Fé diz que nenhuma Conferência Episcopal pode impedir bênção a casais «em situação irregular»

O Dicastério para a Doutrina da Fé (Santa Sé) reafirmou ontem a validade da declaração ‘Fiducia supplicans’, divulgada no último mês de dezembro, sublinhando que nenhuma conferência episcopal pode impedir um sacerdote de abençoar «casais em situação irregular». «A prudência e a atenção ao contexto eclesial e à cultura local poderiam admitir diversas modalidades de aplicação, mas não uma negação total ou definitiva deste caminho que é proposto aos sacerdotes», refere um comunicado enviado ontem à imprensa pelo organismo da Cúria Romana. O texto é assinado pelo cardeal Víctor Manuel Fernández, prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, e por mons. Armando Matteo, secretário para a Secção Doutrinal, abordando várias questões levantadas pela declaração, que prevê a possibilidade de abençoar casais em segunda união ou uniões de pessoas do mesmo sexo. «Cada bispo, na sua diocese é autorizado pela declaração ‘Fiducia supplicans’ a ativar este tipo de bênçãos simples, com todas as recomendações de prudência e de atenção, mas em nenhum modo é autorizado a propor ou a ativar bênçãos que possam assemelhar-se a um rito litúrgico», precisam. Os responsáveis consideram «compreensíveis» as tomadas de posição de algumas Conferências Episcopais, sublinhando que estas reações «têm o valor de evidenciar a necessidade de um período mais longo de reflexão pastoral». «A declaração contém a proposta de breves e simples bênçãos pastorais (não litúrgicas, nem ritualizadas) de casais irregulares (não das uniões), sublinhando que se trata de bênçãos sem forma litúrgica, que não aprovam nem justificam a situação em que se encontram essas pessoas», pode ler-se. «Alguns bispos, por exemplo, estabeleceram que cada sacerdote deve realizar o discernimento, mas poderá dar essas bênçãos apenas de modo privado. Nada disso é problemático, se é expresso com o devido respeito por um texto assinado e aprovado pelo próprio Sumo Pontífice, buscando de algum modo acolher a reflexão nele contida», acrescenta o comunicado. Segundo o Dicastério para a Doutrina da Fé, o que foi expresso por essas Conferências Episcopais – entre elas as de Moçambique e a CEAST (Conferência Episcopal de Angola e São Tomé) «não pode ser interpretado como uma oposição doutrinal, porque o documento é claro e clássico a respeito do matrimónio e da sexualidade».

 

Lutar contra criminalização da homossexualidade

 O Vaticano pede que se lute contra a criminalização da homossexualidade, com «formação, defesa da dignidade humana, ensino da Doutrina Social da Igreja e diversas estratégias que não admitem pressa». «Os documentos do Dicastério para a Doutrina da Fé, como ‘Fiducia supplicans’, podem requerer, nos seus aspetos práticos, mais ou menos tempo para a sua aplicação, segundo os contextos locais e o discernimento de cada bispo diocesano com a sua diocese. Nalguns lugares não existem dificuldades para uma aplicação imediata, noutros há a necessidade de não inovar nada enquanto se toma todo o tempo necessário para a leitura e a interpretação», sustenta o Vaticano. A nota de imprensa pede que seja tida em atenção o “contexto” de algumas declarações dos episcopados, realçando que «em diversos países existem fortes questões culturais e até mesmo legais que requerem tempo e estratégias pastorais, a longo prazo». «Se existem legislações que condenam à prisão e, em alguns lugares, à tortura e até à morte, o simples fato de declarar-se homossexual, entende--se que seria imprudente uma bênção. É evidente que os bispos não queiram expor as pessoas homossexuais à violência», explica o documento distribuído à imprensa.