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D. Roberto alerta para os dramas que afetam famílias e migrantes

D. Roberto alerta para os dramas que afetam famílias e migrantes
Fotografia DR

Joaquim Martins Fernandes

Jornalista

Publicado em 14 de agosto de 2023, às 10:45

Na homilia da Grande Peregrinação ao São Bento da Porta Aberta.

O Bispo Auxiliar do Porto alertou este domingo para a aflição de muitas famílias portuguesas que deixaram de ter condições financeiras para pagar os créditos da compra de casa. D. Roberto Rosmaninho Mariz, que presidiu à Grande Peregrinação anual a S. Bento da Porta Aberta, colocou também no centro das preocupações da Igreja o drama que vivem os migrantes e os refugiados que fogem da guerra e da fome, em busca de condições de dignidade.

O Bispo Auxiliar da Diocese do Porto, D. Roberto Rosmaninho Mariz, alertou este domingo para «as dores e as tristezas» que vivem os migrantes e os refugiados que são obrigados a abandonar o seu país para «fugir da guerra» ou «tentar encontrar condições de vida dignas». D. Roberto Rosmaninho sublinhou que «a realidade dos refugiados e dos migrantes é feita das dores causadas pelas circunstâncias da guerra e da miséria». Trata-se de uma realidade que «deve levar os peregrinos a comungar das cicatrizes da humanidade e da Igreja, porque a fé [cristã] só faz sentido sendo vivida em comunidade». D. Roberto Rosmaninho Mariz falava na homilia da eucaristia em honra de São Bento da Porta Aberta, a que presidiu e que foi integrada no programa de ontem da Grande Romaria Anual.

Num dia que a Igreja Católica dedicou aos refugiados e migrantes, o prelado da Diocese do Porto deixou claro que essa solicitude para com os refugiados e migrante estava também no centro da Grande Peregrinação ao mais importante Santuário de Terras de Bouro. «Neste dia dos migrantes e dos refugiados, todos somos desafiados a não levantar muros e a construir pontes, no espírito de que todos têm um lugar especial dentro da Igreja, que não fecha as portas a ninguém, da mesma forma que este santuário que é de São Bento da Porta Aberta a todos, todos, todos», sublinhou D. Roberto, que durante vários anos foi presidente da Irmandade de São Bento da Porta Aberta. É que «a Igreja para todos está aberta a todos, como afirmou o Papa Francisco na [recente] Jornada Mundial da Juventude [que decorreu em Lisboa], assim como o São Bento da Porta Aberta convoca a todos os fiéis e a todos os peregrinos a contribuírem para a mudança».

Na reflexão que protagonizou na deslocação a São Bento da Porta Aberta, em que também se afirmou «peregrino», o Bispo Auxiliar do Porto alertou para as famílias portuguesas que sofrem com as subidas das taxas de juro, por deixarem de ter condições para suportar o crédito da sua habitação.

«Numa altura em que o peso dos juros na vida das famílias e até das empresas atinge proporções dramáticas, vemos nas notícias que os cinco maiores bancos portugueses têm lucros diários de 11 milhões de euros. E a presidente do Banco Central Europeu já veio dizer que, no próximo trimestre, haverá mais subidas das taxas. Não seria, por isso, possível fazer alguma coisa para aliviar as dores das famílias e das empresas?», questionou D. Roberto Rosmaninho Mariz, que recordou por diversas vezes «a riqueza» das mensagens que o Papa Francisco deixou na Jornada Mundial da Juventude.